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O mergulho de Décio Lima

Por Cláudio Prisco Paraíso
11/10/2023 - 17h12

Em várias ocasiões, já registramos aqui que o Vale do Itajaí é a região mais bolsonarista do país. Novamente, as cidades dali estão sendo castigadas mais severamente pela chuvarada que assolou Santa Catarina. E que deve voltar com força nesta quarta e quinta. Blumenau, principal cidade da região, é a terceira maior do estado.

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Coincidentemente, é de Itajaí a liderança mais expressiva do PT Barriga-Verde, Décio Lima. Apesar de ter nascido na ex-cidade portuária, ele já administrou Blumenau por dois mandatos na década de 1990 e início dos anos 2000. Também ex-deputado federal, ele foi o candidato do PT a governador nas duas últimas eleições.

Em 2018, sem coligar com sequer um partido de esquerda, teve um resultado decepcionante. Já em 2022, aí como único nome da esquerda catarinense e fazendo dobradinha com seu amigo, correligionário e compadre Lula da Silva, o petista local conseguiu chegar ao segundo turno.

Mais ou menos

Conquistou esse feito também por estar com Lula, mas muito mais porque o centro e a direita acabaram lançando cinco candidaturas diferentes no primeiro turno do ano passado.

Dobradinha

Jorginho Mello carimbou passaporte como mais votado no primeiro round de 2002 porque disputava junto com Jair Bolsonaro, ambos abrigados no PL. SC, todos sabem, é um estado essencialmente conservador e potencialmente bolsonarista.

Quarteto

Como tivemos outras quatro candidaturas de centro-direita com Esperidião Amin, Gean Loureiro, Moisés da Silva e Odair Tramontin, também de Blumenau, os votos conservadores ou antipetistas se diluíram.

Foco

Pergunta-se: neste momento em que vários municípios do Vale estão sofrendo duramente com as cheias, quem teria que se destacar, tomando uma posição de proa, de liderança, de vanguarda? Alguém que ocupa um cargo cobiçadíssimo, com mais de R$ 5 bilhões de orçamento e acesso direto ao presidente? Bingo. Ele, Ele, Décio Lima.

Cara de paisagem

Mas ele simplesmente submergiu, mergulhou, faz de conta que o dilúvio que castiga os catarinenses não é com ele. Mergulhou, mas não nas águas, submergiu de suas responsabilidades e atribuições sobretudo pela posição que ocupa atualmente.

Dupla

Sem contar que ele é marido da deputada federal Ana Paula Lima. Qual o papel que o casal está cumprindo nesse momento? Não se viu um movimento sequer partido dele, nada, omissão completa.

Plantar e colher

O sumiço deles é algo absolutamente surpreendente. E a conta não virá só em 2026, não, quando certamente o petista terá dificuldades para ser o nome do PT numa terceira disputa consecutiva.

Lembrar é viver

Vale rememorar. Em 2006, quando Lula concorreu à reeleição, Desejava então senadora Ideli Salvatti como candidata ao governo. Sua vontade não prevaleceu. José Fritsch deixou o Ministério da Pesca, achando que iria repetir a façanha de 2002, quando por menos de 3% não chegou ao segundo turno contra Esperidião Amin, candidato à reeleição. Foi Luiz Henrique que o enfrentou na grande final

Fique ciente

Lula da Silva alertou Fritsch. Em caso de derrota, ele não voltaria para o ministério. E foi isso que aconteceu. Altemir Gregolin assumiu no lugar de Fritsch e permaneceu ali no segundo mandato do ex-mito.

Incógnita

Ou seja, Lula cumpriu com a palavra e a represália veio. Agora Décio seguramente será o candidato de Lula em 2026, resta saber se ele tem o controle do partido.

Viés

Em SC, a extrema esquerda, a esquerda da esquerda, sempre dominou o comando petista. Décio não faz parte desse segmento ultra radical, mas será que ele tem o domínio total do partido?

Fatura

Até porque a fatura de tudo o que desgoverno vem fazendo no país e especialmente em relação a SC já vai chegar no pleito municipal do ano que vem. Será surpreendente se o PT fizer duas dezenas de pequenas prefeituras entre os 295 municípios catarinenses.

Prevenção é tudo

Por Cláudio Prisco Paraíso
10/10/2023 - 11h45

Mais uma vez as manifestações climáticas estão a castigar Santa Catarina. De maneira severa. No final da noite de domingo, as chuvas causaram ocorrências em 131 das 295 cidades do Estado. Em 60 municípios foi decretada situação de emergência. 
Óbitos ainda não atingiram os dois dígitos, mas a perda de qualquer vida humana é muito difícil para os catarinenses. Apreciemos a gestão da crise gerada pela chuvarada. Começando por Brasília. Nada, absolutamente nada vindo de lá. Apenas um registro de rede social da parte do inquilino do Palácio do Planalto. 

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Não se viu nenhuma mobilização federal. Houve uma reunião emergencial, no domingo, convocada pela deputada federal Carol De Toni com os congressistas catarinenses. Seguramente vão pressionar o poder central. Mas não veio nenhum ministro ou encaminhamento de recursos e equipamentos para Santa Catarina. Desprezo total.

Diferentemente do que ocorreu no Rio Grande do Sul, que mês passado recebeu a visita do presidente em exercício, Geraldo Alckmin, e de alguns ministros. 

Causa e efeito

Guardaria esse desprezo federal relação com o fato de termos por aqui um eleitorado massivamente conservador? Em 2018, Jair Bolsonaro fez 76% dos votos catarinenses. Em 2022, 70%. Mas não queremos crer que seja esse o motivo do desleixo. Deve ser apenas incompetência mesmo do desgoverno e não retaliação pelo componente eleitoral. 

No trecho

Assim como o fórum parlamentar catarinense federal, também se registra a presença de deputados estaduais ajudando na mobilização junto às prefeituras e ao governo. 
Definitivamente o Centro Administrativo está tendo uma atuação exemplar a partir do envolvimento da figura do próprio governador à frente de todo o processo. 

Foco

Desde quarta à noite, Jorginho Mello derrubou a agenda e está exclusivamente dedicado à mitigação dos efeitos da chuvarada com ações integradas entre Defesa Civil, forças de Segurança, de Saúde e da Infraestrutura.

Na mosca
 
O maior elogio, contudo, é para sua decisão, corajosa e certeira, no que diz respeito ao fechamento das duas comportas da barragem de José Boiteux. Decisão evitada até então por ex-governadores frouxos, lenientes. 

Estado dentro de um estado

A barragem, com capacidade de retenção de água de quase o dobro das outras duas somadas, está construída dentro de uma área indígena. Como se sentem e são praticamente intocáveis, os índios deitam e rolam na chantagem, no achaque. Essa é a realidade. 

Ativismo

A sociedade não aguenta mais tanta hipocrisia, tanto cinismo e tanto descaso em relação à vida de milhares, milhões de pessoas, no Vale do Itajaí, reféns de sete caciques que vivem a combinar o jogo. Seis aceitaram o último acordo fechado com o governo, mas um, como sempre, não aceitou. 

Mão firme

A partir daí o governador tomou a decisão de acionar a PM para garantir a segurança dos técnicos que conseguiram fechar as duas comportas. Decisão corretíssima. A estrutura estava abandonada e vandalizada há anos por conta da chantagem indígena. 
Sim, eles precisam de compensações e tudo o que pediram foi entregue. Mesmo assim, quiseram e sempre querem mais. Numa hora dessas, cara-pálida? Não dá realmente para aceitar. 

Chuvarada

Basta olhar para as enchentes do passado que atingiram Blumenau e Itajaí dá para perceber que foi mais do que acertada a decisão de Jorginho Mello. Foi fundamental para evitar estragos ainda maiores ante ao dilúvio que caiu sobre toda a região. 

Massa de manobra

O governador pode sofrer um desgaste em função do acerto porque a velha mídia quer fazer aquela média de narrativa, ideológica, com os povos indígenas. O estado envida todos os esforços para atender os índios e a inundação em suas terras. 

Modernidade

A grande realidade é que nós temos pouquíssimos índios vivendo fora do sistema estadual, fora do modo de vida moderno. A maioria usa Iphone, anda de carrões e faz viagens de avião. 

Apenas números

Assim como acontece com vários miseráveis neste país, os indígenas estão sempre sendo usados pelo PT e pela esquerda. Ora como bucha de canhão, ora como escudo. 

FUNAI, sempre ela!

Onde está a FUNAI, que tem a jurisdição legal sobre as sete aldeias? Mergulhou, submergiu. Agora certamente aparecerá para atacar o governo do estado e os catarinenses. Mas não fizeram nada, nunca, para realmente atender as necessidades dos moradores da reserva de José Boiteux. Só discurso, só manipulação. 

Alto lá

Outro aspecto. Com estado debaixo d’água, isso é hora para proselitismos? Isso é momento para politicagem? 

Palmas

Novamente: está de parabéns o governador Jorginho Mello, que já entrou para a história também por ter a coragem de agir corretamente em mais essa situação absurda criada pelo sistema de inversão de valores que tenta a todo momento se impor neste país.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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