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Questão de identidade

Por Cláudio Prisco Paraíso
04/10/2023 - 10h20

O MDB, Movimento Democrático Brasileiro, que no passado foi conhecido como Manda Brasa, é hoje um partido de esquerda, de direita ou de centro? Estamos falando sob o aspecto ideológico.

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Centro, contudo, lembra Centrão, aquele bloco de figuras dos mais variados partidos e fisiológicos em potencial. Onde tem governo, eles, os centristas do Centrão, são governo.

Assim foi na era FHC, com Lula da Silva, Dilma Roussef, Michel Temer, Jair Bolsonaro e agora novamente sob Lula III.
Vários parlamentares do MDB estão inseridos no bloco do Centrão nesta cronologia. Outros tantos emedebistas estão fazendo o jogo do PT no plano federal.

Até porque o deputado federal Baleia Rossi, que assumiu a proa do partido em substituição a Michel Temer, atua em finíssima sintonia com o Planalto.

O MDB pilota três ministérios na gigantesca esplanada vermelha. A começar pelo Planejamento, com Simone Tebet, a presidenciável que garantia em alto e bom som que não aceitaria cargos de quem vencesse o pleito de 2022. Pois é.

Figurinhas carimbadas

Em outras duas pastas estratégicas, foram nomeados filhos de duas raposas felpudíssimas do MDB, de ficha corrida quilométrica, duas figurinhas manjadas da política brasileira. Jader Barbalho e Renan Calheiros, senadores por Pará e Alagoas, emplacaram seus descendentes no topo de ministérios.

Tudo em casa

Renan Filho também elegeu-se senador, mas acabou ministro dos Transportes. Jader Barbalho Filho, deputado federal, é outro que está na esplanada, onde comanda a pasta das Cidades. O MDB está bem instalado, confortável.

Incógnita

E o MDB catarinense, como se posiciona nesse contexto? Não venham com esse papinho de que a seção Barriga Verde da legenda é de centro. Conversa mole. Em Santa Catarina não existe centro. Ou se está à direita ou à esquerda, seguindo a polarização entre o ex-mito e Jair Bolsonaro. Ponto.

Posicionamento

Por aqui, há emedebistas em sintonia com Jorginho Mello, Bolsonaro e a direita. Outros estão ligados com o PT de Décio Lima e Lula da Silva. É o caso daquele que foi nomeado por Baleia Rossi para presidir a comissão provisória do MDB estadual, Carlos Chiodini. Ele vem votando com o governo, assim como Valdir Cobalchini.

Câmara Alta

No Senado, Ivete Appel da Silveira raramente não atende as necessidades governistas. Portanto, da bancada federal do MDB-SC, de quatro parlamentares, três estão com o PT. Apenas Rafael Pezenti, que era fiel escudeiro de Rogério Peninha Mendonça, o catarinense que mais precocemente se aproximou de Jair Bolsonaro, faz oposição.

Fica

Até especulamos aqui que Pezenti poderia sair do MDB. Ele assegurou que não sai, mas afirma que o seu MDB não é canhoto. Segundo ele, a direção do partido em SC é de esquerda. Para Rafael Pezenti, o comando partidário local precisa ganhar rumo.

Futuro breve

As afirmações do correligionário são uma sinalização de que Carlos Chiodini poderá enfrentar dificuldades daqui para frente.
Até mesmo seu conterrâneo e amigo, o deputado estadual Antídio Lunelli, o terceiro mais votado na eleição do ano passado para a Alesc, se posiciona à direita.

Tripés

Como vai ficar isso? Pezenti, Antídio e Jerry Comper, deputado licenciado e secretário da Infraestrutura, numa ponta. Na outra extremidade, Cobalchini, Chiodini e Ivete.

Trajetória

Aqui abrimos um parêntese. Jerry Comper é mais uma liderança em ascensão, que vem ocupando espaços preciosos. Sua votação para estadual, em 2022, foi quase a mesma conquistada por Rafael Pezenti para federal. Fecha parêntese.

Fiel da balança

Por fim, temos o presidente da Alesc, outro quadro emedebista em curva ascendente. Seu posicionamento poderá definir o rumo do MDB-SC. Se mais à direita ou mais à esquerda. Com a palavra, o deputado Mauro de Nadal!

Bastidores fervem na Capital

Por Cláudio Prisco Paraíso
03/10/2023 - 08h00

Articulações frenéticas em Florianópolis. Topázio Silveira Neto é candidato natural à reeleição. O prefeito sucedeu Gean Loureiro que renunciou em 31 de março de 2022 para concorrer ao governo do estado. Gean é filiado ao União Brasil e Topázio ao PSD. 

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A leitura óbvia é a de que o UB indiciaria o vice do atual prefeito em seu projeto de renovar o mandato, na figura de Ed Pereira, secretário municipal e vereador licenciado. 

Aí começaram as especulações de que Gean e o UB já estão com Topázio e que o MDB indicaria o vice ideal, ampliando a aliança. Até para dar um chega pra lá em Dário Berger na Capital. 

Surgiu aí o nome do presidente da Câmara de Vereadores, João Cobalchini, filho do deputado federal Valdir Cobalchini. O vereador segue filiado ao UB. Só aguarda, contudo, a janela de março para voltar ao Manda Brasa. 

João Cobalchini teve inclusive uma interinidade como prefeito em função da viagem do prefeito à Coreia do Sul.

Topázio, lembremos, compareceu em recente evento de filiações do MDB na Capital, posando para fotos com o 15 estampado no peito. 

Balão de ensaio

Nesse meio tempo, o PL de Jorginho Mello deixa transpirar a informação de que a deputada estadual recordista de votos, Ana Campagnolo, poderia ser o nome do partido em Florianópolis.

Capitalização

Afinal de contas, Ana Campagnolo fez para estadual mais votos na Capital do que Angela Amin, que foi duas vezes prefeita. Pelo visto, contudo,  a possibilidade da candidatura de Ana teria sido utilizada para reaproximar o governador do prefeito. E vice-versa. 

Força

Se PSD e PL estiverem juntos na Capital com Dário Berger fora e tendo apenas a candidatura de Marquito Abreu pela esquerda, a reeleição de Topázio Neto em primeiro turno ficaria muito bem encaminhada. Nesse contexto, o PL indicaria o vice do atual mandatário municipal, abrindo mão de encabeçar uma chapa. 

Reunião

E quem seria esse nome pelos liberais? Na sexta-feira, o PL realizou um grande evento no Hotel Majestic, em Florianópolis, empossando o novo comando municipal. O presidente do PL na Capital é Heleno Martins, fiel escudeiro de Jorginho Mello. Topázio Silveira Neto também compareceu, a exemplo do que já tinha feito no ato do MDB. 

Nome novo

Representando o governador lá estava o primogênito Bruno Mello, formado em Odontologia. Filipe Mello, o outro filho de Jorginho, é advogado. Bruno seria uma opção para compor de vice de Topázio. Seria o DNA do governador, as digitais de Jorginho na chapa. Poderemos ter aí PSD e PL juntos na Capital do Estado, cruzando o sangue. Familiar inclusive, com o DNA dos Mello. 

Máquina

Se efetivamente isso ganhar corpo é muito difícil que não tenhamos uma definição favorável no primeiro turno da eleição em Florianópolis. A menos que haja uma hecatombe, pois teríamos o primogênito do govenador junto com o atual prefeito, que vive bom momento e é favorito à reeleição. 

Calendário

E esse encaminhamento seria para Topázio Neto completar o eventual segundo mandato e depois abrindo espaço para Bruno Mello concorrer a prefeito em 2028 como nome natural? Partindo-se da premissa que Jorginho Mello será reeleito em 2026, Bruno disputaria o paço da Capital com o apoio do governador dois anos depois. 

História

Lembremos de Esperidião Amin, que se elegeu novamente governador em 1998, dois anos após Angela Amin, sua esposa, conquistar a prefeitura de Florianópolis.

Século passado

Ela havia perdido o governo do Estado em 1994 para Paulo Afonso Vieira. De 1999 até 2002, quando Amin foi surpreendido na reeleição contra Luiz Henrique da Silveira, governador e prefeita da Capital dividiam o mesmo leito. Nesse caso atual, seria o governador com o filho eventualmente prefeito a partir de 2029. 

Projeções

Mas há outra alternativa em perspectiva. Topázio poderia ser o nome ao Senado numa das duas vagas em 2026 na chapa a ser liderada por Jorginho Mello, o que poderia abrir caminho para Bruno Mello assumir a prefeitura da Capital com dois anos de mandato e a possibilidade de buscar a reeleição em 2028. São conjecturas, projeções, especulações que correm nos bastidores.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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