O governador Jorginho Mello passou a terça-feira em Brasília, despachando na Secretaria Executiva da Articulação Nacional. A justificativa oficial é simples: havia assuntos pendentes após viagens recentes. Entre os temas, tratou da homenagem que o Senado fará à representação catarinense na capital federal – denominação usada por 30 anos até ser trocada nas últimas duas décadas.
Mas convenhamos: ninguém passa um dia inteiro em Brasília apenas com despachos e agenda cerimonial.
Conversa com Bolsonaro
Em meio a esse cenário, é praticamente certo que Jorginho tenha se encontrado com o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ainda mais depois da declaração feita no fim de semana, quando disse que não há acordo para a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina.
Foi, muito provavelmente, um encontro para alinhar discursos e acertar os ponteiros, afinal, esse tema está em ebulição dentro do campo conservador.
Reunião esvaziada
Curioso é que Jorginho retornou ainda na noite de terça e não ficou para a reunião convocada pelo vice-presidente Geraldo Alckmin com os governadores. E fez muito bem.
A reunião, promovida por um governo inoperante, não traria resultado prático algum. Qual o sentido de sentar à mesa com um vice-presidente que não decide nada? Lula não conversa nem com o empresariado, quanto mais com governadores.
A propósito, a rodada de Alckmin com os governadores acabou cancelada por falta de quórum.
Tarifaço e descaso diplomático
Enquanto o Brasil enfrenta o impacto do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, o que faz a diplomacia lulista? Nada. O governo brasileiro demorou mais de 15 dias para reagir. A embaixadora só se mexeu quando tudo já estava consumado.
O chanceler Mauro Vieira foi passar férias na Croácia e na Irlanda, porque recebeu sinal verde de que o Planalto não tinha interesse em negociar. Agora, às pressas, Haddad e Vieira tentam posar de articuladores em Nova Iorque, oferecendo “diálogo” quando o estrago já está feito.
Provocação aos EUA
Lula, por sua vez, preferiu desafiar Donald Trump publicamente desde 2023. Em vez de buscar pontes, optou pela provocação. Resultado: Trump venceu, a Casa Branca fechou as portas, e o Brasil virou alvo do retaliação econômica.
Não é só incompetência. É estratégia de confronto para tentar sobreviver politicamente.
Efeitos das arbitrariedades
As atitudes autoritárias do ministro Alexandre de Moraes também contribuíram para esse cenário. A escalada contra a liberdade de expressão e a perseguição a empresas e cidadãos americanos apenas agravaram a relação. O recado dos EUA é claro: basta!
Narrativa nacionalista
Lula tenta transformar o problema em narrativa eleitoral. Quer posar de defensor da soberania nacional contra o “imperialismo americano”. Acredita que esse discurso possa salvá-lo em 2026.
Mas esquece que, na prática, o eleitor brasileiro vota com a barriga e o bolso. E os dois estão vazios.
Fim de linha
O resultado é um governo enfraquecido, isolado e sem capacidade de reação. O tarifaço foi só a ponta do iceberg. Os próximos meses vão mostrar ainda mais claramente que Lula perdeu o rumo e que a sociedade está cansada de bravata ideológica.
O projeto de reeleição do PT está em frangalhos. E quem paga a conta é o país.
O governador Jorginho Mello aproveitou um fim de semana de calmaria política para soltar uma declaração que repercutiu em todo o Estado. Em conversa com a jornalista Karina Manarim, de Criciúma, Jorginho disse de forma clara: não há acordo – ainda que não tenha citado nomes – com Jair Bolsonaro para apoiar a candidatura de Carlos Bolsonaro ao Senado por Santa Catarina.
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Segundo o governador, a vinda de Carluxo para disputar a vaga do Senado em SC foi apenas “aventada” como alternativa. Ele mesmo citou que havia outras possibilidades semelhantes, como Espírito Santo e Roraima – estados que, assim como Santa Catarina, são redutos bolsonaristas.
Reação negativa
A fala do governador não é por acaso. Internamente, a repercussão da possível candidatura de Carlos Bolsonaro no Estado foi muito ruim. A sociedade reagiu mal, e o empresariado também. E Jorginho, pragmático como sempre, sabe que precisa manter esse setor ao seu lado para o projeto de reeleição em 2026.
Espaço na majoritária
Mas não se trata apenas de agradar a base econômica. Há um cálculo político claro: com a movimentação do partido Novo – que condiciona o apoio à reeleição à presença de Gilson Marques na chapa majoritária – e com a Federação União Progressista (PP e União) lançando Esperidião Amin, o espaço está ficando cada vez mais disputado. A entrada de Carlos Bolsonaro nesse cenário engessaria as negociações.
Tabuleiro complexo
Hoje, os nomes mais cotados para compor a chapa de Jorginho são: Gilson Marques (Novo), exigência do partido; Esperidião Amin (PP), prioridade da Federação; Carol De Toni (PL), alternativa interna do governador; Topázio Neto (PSD), prefeito de Florianópolis, que pode até migrar de partido para ser vice. Com Carlos Bolsonaro nesse meio, não haveria espaço para acordos – e esse é um risco que Jorginho não quer correr.
Autonomia em jogo
A declaração é também um recado para Bolsonaro: Jorginho precisa ter autonomia mínima para construir sua chapa. Caso contrário, corre o risco de ser visto como um governador tutelado, o que poderia desgastar sua imagem na campanha. Afinal, mesmo num estado conservador, a independência política conta pontos.
Carlos pode não vir
Essa sinalização de Jorginho reforça a possibilidade real de que Carlos Bolsonaro não concorra em Santa Catarina.
Há, inclusive, outras hipóteses para o clã: Eduardo Bolsonaro inelegível ou permanecendo nos Estados Unidos, Carlos poderia concorrer ao Senado por São Paulo; Carlos concorrendo no Rio de Janeiro, na hipótese do primogênito Flávio compor chapa na disputa presidencial. Tudo dependerá da reorganização da família Bolsonaro até 2026.
Próximos passos
Fato é que Jorginho não quer abrir mão da sua capacidade de composição. A eleição de 2026 pode caminhar para ser definida em turno único, e o governador sabe que uma chapa costurada com equilíbrio é a melhor forma de garantir esse resultado.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.