A última semana foi devastadora para o PL e, especialmente, para o senador Flávio Bolsonaro. A revelação — confirmada pelo próprio parlamentar — de contatos mantidos com o banqueiro Daniel Vorcaro produziu um estrago político imediato e alimentou uma ofensiva pesada da mídia nacional contra o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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Primeiro veio à tona uma mensagem de voz enviada pelo WhatsApp. Depois, o próprio senador reconheceu que procurou Vorcaro, que cumpria
prisão domiciliar em São Paulo com uso de tornozeleira eletrônica. O encontro ocorreu na residência do ex-banqueiro.
Ainda que a justificativa apresentada tenha sido a busca de financiamento para um filme sobre a trajetória política e pessoal de Jair Bolsonaro, o episódio deixou evidente uma relação de proximidade absolutamente desconfortável para alguém que tenta chegar ao Palácio do Planalto. Sobretudo considerando o perfil do cidadão em questão.
Daniel Vorcaro é visto, nos bastidores políticos e empresariais, como uma figura altamente tóxica. Um bandido da pior espécie. E foi exatamente essa associação que passou a ser explorada de forma intensa pelos adversários políticos e pelos grandes veículos de comunicação.
Cerco midiático
A repercussão foi imediata e brutal. Tratando-se do filho mais velho do ex-presidente, praticamente toda a grande imprensa passou a trabalhar em cima do desgaste do senador. Em Brasília, a leitura predominante era clara: criar um ambiente político capaz não apenas de enfraquecer Flávio Bolsonaro, mas eventualmente inviabilizar sua pré-candidatura presidencial.
Ainda não
Nos bastidores do centro político e também entre setores da direita não alinhados ao bolsonarismo-raiz, havia quem enxergasse no episódio a oportunidade ideal para abrir espaço a uma alternativa conservadora fora do núcleo familiar dos Bolsonaro.
Dupla
Os nomes colocados sobre a mesa continuam sendo os mesmos: Romeu Zema, do Novo, e Ronaldo Caiado, do PSD.
Frustração no consórcio
Mas o dado político mais relevante veio justamente depois do massacre midiático. As pesquisas realizadas após a explosão do caso não mostraram nenhuma implosão da candidatura de Flávio Bolsonaro. Muito pelo contrário.
Desgaste natural
Na média dos levantamentos estatísticos, o senador perdeu alguma substância eleitoral, é verdade. Houve oscilação negativa de alguns pontos percentuais. Ainda assim, nada remotamente próximo de uma situação que pudesse gerar pressão interna por desistência. O cenário segue polarizado.
Será?
Em alguns institutos, Lula da Silva retomou numericamente a dianteira. Mas o empate técnico permanece predominando dentro da tradicional margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Viés canhoto
Até mesmo no Datafolha — historicamente apontado por conservadores como simpático a candidaturas de esquerda — o quadro continua apertado. Antes da crise, Flávio Bolsonaro e Lula apareciam empatados em 45% a 45%. Depois do episódio, o senador caiu dois pontos e Lula subiu dois. O placar passou para 47% a 43%. Resultado: empate técnico mantido.
Candidato é Flávio
A essa altura, a conclusão nos bastidores do PL é objetiva: a polarização está consolidada e não existe hoje nenhum fato capaz de fulminá-la. O candidato do bolsonarismo é Flávio Bolsonaro. E mais: só deixará de ser se assim decidir o pai. É assim que funciona.
Bênção familiar
Foi Jair Bolsonaro quem escolheu, quem ungiu e quem transformou o filho em herdeiro político direto do seu capital eleitoral. Portanto, apenas o ex-presidente teria autoridade para promover qualquer mudança de rota. Não há, neste momento, qualquer hipótese de rebelião interna no PL.
Uníssono
Nem o presidente da legenda, Valdemar da Costa Neto, tampouco deputados, senadores ou integrantes da executiva nacional trabalham com substituição. Ao contrário. A disposição de Jair Bolsonaro é ir com o filho até as últimas consequências.
Casa Branca
A expectativa política agora se desloca para os Estados Unidos. Há enorme atenção em torno do encontro previsto entre Flávio Bolsonaro e o presidente americano Donald Trump. A reunião pode não ocorrer exatamente na data inicialmente prevista em razão do agravamento da tensão envolvendo Estados Unidos e Irã, além de exames médicos agendados para Trump.
Próximas horas
Mas, nos bastidores, a informação é de que o encontro deverá acontecer — se não imediatamente, entre quarta e quinta-feira. O tom adotado pelo atual ocupante da Casa Branca poderá produzir efeitos políticos importantes no Brasil. A dúvida é objetiva: haverá algum gesto formal ou informal de apoio a Flávio Bolsonaro?
O “troco”
Aliados do senador lembram um detalhe importante. Em 2024, Lula declarou apoio público ao então presidente americano Joe Biden. Depois da saída de Biden da disputa, o presidente brasileiro também manifestou apoio à candidata democrata derrotada por Trump. Daí surge a pergunta que já circula nos bastidores bolsonaristas: Trump poderá agora dar o troco político em Lula?
Parceria estratégica
Para o presidente americano, a eventual eleição de um governante de direita no Brasil teria relevância estratégica dentro do seu movimento de fortalecimento da influência na América Latina — especialmente diante das pressões sobre a Venezuela e também das sinalizações envolvendo Cuba.
E é justamente aí que a eleição brasileira começa, cada vez mais, a ultrapassar as fronteiras nacionais.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.
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