A pré-campanha presidencial entrou oficialmente na fase da artilharia pesada. O PT e o aparelhamento decidiram abrir fogo contra o adversário que hoje ocupa o centro do tabuleiro e vem muito bem nas pesquisas.
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Não foi por acaso que a primeira leva de bombas foi implodida sobre Flávio Bolsonaro, após ele se envolver com o banqueiro Daniel Vorcaro, ao pedir patrocínio para o filme do pai.
A estratégia do PT em atacar não começou antes porque o Planalto precisava ter certeza que Tarcísio de Freitas não entraria na disputa presidencial. Se o desgaste sobre Flávio tivesse sido antecipado, o movimento natural do eleitorado conservador seria empurrar Tarcísio para o centro da corrida. O PT sabia disso. Esperou o fim da janela partidária, que previa a descompatibilização e o cenário estabilizar para então apertar o gatilho.
Sem dúvida, o fogo cruzado tende a aumentar semana após semana. Flávio precisará vestir um verdadeiro colete à prova de balas. Virão denúncias, dossiês, pressão midiática, narrativas digitais e uma disputa brutal de opinião pública. Afinal ninguém entra numa eleição presidencial sem passar pelo moedor de reputações.
Mas, meus caros, o outro lado também joga cercado de fragilidades. Lula carrega um amplo telhado de vidro. Ele vai além de sua idade avançada. A alta rejeição comprova que o governo enfrenta desgaste natural.
A população sente no bolso os reflexos de descontrole fiscal e falta dinheiro na rua. Sem contar a quebradeira de inúmeras empresas, quando não conseguem se adaptar ao modelo de recuperação judicial.
O ambiente político segue muito mais polarizado do que nunca. A guerra será longa e sem trégua. Até agosto, quando as candidaturas realmente precisarão ser registradas, tudo pode mudar.
Nos bastidores do PL, existe quem já admita um plano alternativo. Se o desgaste sobre Flávio Bolsonaro ultrapassar o limite considerado administrável, a candidatura pode acabar caindo no colo de Michelle Bolsonaro, nome que mantém forte apelo popular no eleitorado conservador e rejeição menor em alguns segmentos estratégicos.
Outro fator muda completamente o jogo em 2026. O TSE tem uma composição diferente da eleição passada. Não terá à frente, teoricamente, uma marionete do jogo sujo - sabemos quem é. Sob a liderança do ministro Nunes Marques, a campanha tende a ser mais honesta.
Veremos…
A esquerda encontrou um prato cheio para antecipar o embate eleitoral de 2026 após a explosão do caso envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
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O episódio ganhou repercussão internacional após reportagens revelarem mensagens e áudios ligados a negociações para financiamento privado do filme “Dark Horse”, produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio confirmou a existência das conversas, mas negou qualquer irregularidade, afirmando que se tratava apenas de um investimento privado para uma produção cinematográfica, sem uso de recursos públicos ou contrapartidas políticas.
A oposição passou imediatamente a explorar o desgaste político do episódio, principalmente pelo envolvimento do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, alvo de investigações da Polícia Federal e do Banco Central.
Obviamente o caso abriu uma fissura importante dentro da própria direita. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, foi um dos primeiros nomes do campo conservador a se distanciar publicamente de Flávio Bolsonaro após a repercussão do caso.
Para mim, a movimentação de Zema foi precipitada e transmitiu uma imagem de oportunismo político em meio à turbulência. Na minha leitura, ele antecipou um rompimento antes mesmo do avanço das investigações ou de qualquer definição eleitoral concreta.
Outro nome que voltou ao radar político foi o do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que mantém um discurso mais moderado e tenta se posicionar como alternativa de “centro-direita”, termo esse que eu nunca tinha ouvido falar. Mais um querendo surfar na onda.
Não tenho dúvida de que existe muita resistência dentro da ala mais ideológica do conservadorismo em relação a partidos ligados ao Centrão e a legendas que hoje mantêm diálogo institucional com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Ao mesmo tempo, eu percebo crescer dentro do PL a possibilidade de Michelle Bolsonaro surgir como alternativa forte caso a pré-candidatura de Flávio enfrente dificuldades maiores nos próximos meses.
Na minha opinião, Michelle possui forte apelo popular, maior capacidade de agregação e menor rejeição em determinados segmentos do eleitorado conservador.
Apesar da repercussão, é extremamente prematuro qualquer prognóstico definitivo sobre o impacto eleitoral do caso. A investigação ainda está em fase inicial, e o episódio ocorre muitos meses antes do período oficial da campanha presidencial.
Blog do Bordignon
Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.