Sou favorável às causas animais. Defendo o combate aos maus-tratos e a punição de quem abandona ou agride um animal. Mas justamente por levar o tema a sério, acredito que precisamos tratar o debate com mais responsabilidade.
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Um dos pontos que mais preocupa é o destino dado a muitos animais quando seus próprios tutores enfrentam dificuldades financeiras ou situações inesperadas, como doenças do pet. Não são raros os casos em que o animal acaba sendo abandonado em vias públicas, aumentando o número de cães e gatos nas ruas. O resultado é um problema coletivo, que reflete em riscos sanitários e acidentes.
Defender a causa animal também significa defender a posse responsável. Ter um animal exige planejamento, compromisso financeiro e consciência de que ele não pode ser descartado quando surgem dificuldades.
Por outro lado, é preciso reconhecer que o debate também envolve limites. Recentemente, presenciei uma situação que me fez refletir. Eu estava em um restaurante com serviço de bufê e uma cliente estava com um cachorro no colo enquanto se servia. Existem normas sanitárias e respeito aos demais frequentadores que precisam ser considerados.
Animal não é objeto — mas também não é pessoa. Acentuar excessivamente que tudo é normal pode gerar conflitos desnecessários. Existem espaços adequados para a presença para eles, e essa organização é saudável para todos. Causa animal é, antes de tudo, uma causa de responsabilidade de mão dupla.
Afinal houve, de fato, uma tentativa de golpe ou o que vimos foi uma baderna generalizada que fugiu do controle no famigerado 08 de janeiro?
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Se o atual presidente assumiu no dia 01 de janeiro, por que no dia seguinte ainda havia acampamentos em frente a quartéis? Se existia risco institucional, por que não agir imediatamente? Quem tinha autoridade naquele momento não deveria ter tomado providências para evitar qualquer possibilidade de avanço?
Isso não elimina responsabilidades anteriores. É evidente que o ambiente de radicalização já estava formado e que lideranças que inflamavam desconfiança sobre o processo eleitoral contribuíram para o cenário. Também é inegável que houve depredação, vandalismo e que os responsáveis precisam responder por seus atos.
Mas a reflexão apresentada é outra: golpe pressupõe comando, estratégia, articulação institucional. O que se viu foi organização estruturada para tomada de poder ou um ajuntamento desorganizado que terminou em quebra-quebra? Se houvesse real intenção de golpe com apoio de comando militar, por que isso não ocorreu enquanto o então presidente ainda exercia formalmente a chefia das Forças Armadas?
Há culpados? Sem dúvida. Há perguntas ainda abertas? Também. E são essas perguntas que parte da sociedade continua querendo respostas.
Blog do Bordignon
Em 2004, colou grau em jornalismo pela Universidade do Sul de Santa Catarina. É editor da edição impressa da Revista Única e, dos portais, www.lerunica.com.br e www.portal49.com.br.