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De olho no calendário

Por Cláudio Prisco Paraíso
31/01/2026 - 07h46

A proximidade de fevereiro coloca o calendário eleitoral no modo acelerado. O prazo de desincompatibilização, fixado para 4 de abril, funciona como um divisor de águas: é ele que vai revelar, com mais nitidez, quais nomes realmente entrarão no jogo e como se darão as composições majoritárias em Santa Catarina. Faltam pouco mais de dois meses para que o cenário deixe o campo das especulações e ganhe contornos concretos.

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Como ocorre a cada ciclo, a eleição seguinte começa a ser desenhada antes mesmo de a atual legislatura amadurecer. A pergunta que paira é recorrente: haverá renovação real ou apenas rearranjos entre figuras já conhecidas do eleitorado?

A esquerda e a tentativa de reposicionamento

No campo da esquerda, o nome que se apresenta é o de Gelson Merisio. Ex-deputado estadual e ex-presidente da Assembleia Legislativa, ele já disputou o governo em 2018, quando estava no PSD, partido de centro. Sua trajetória partidária inclui passagens por siglas de perfil mais conservador, o que torna seu atual posicionamento ideológico um movimento de reacomodação política, não exatamente de novidade.

Estrutura

O desafio é estrutural. Santa Catarina mantém, historicamente, um eleitorado de perfil conservador, tendência que se intensificou nas últimas eleições presidenciais e estaduais. A viabilidade de um projeto de esquerda ao governo é, portanto, limitada. Merisio entra mais como peça de afirmação de campo político do que como favorito real.

Petista

Para o Senado, o nome mais provável nesse espectro é o de Décio Lima. Ex-prefeito de Blumenau, ex-deputado federal e figura tradicional do PT catarinense, ele já disputou o governo em duas ocasiões recentes. Hoje na presidência nacional do Sebrae, Décio representa a manutenção de um núcleo histórico da esquerda no Estado, com densidade política, mas também com alto grau de conhecimento — e rejeição — consolidados.

O centro fragmentado

No centro, aparece João Rodrigues, prefeito de Chapecó, em seu quarto mandato à frente do município. Com passagem pela Assembleia Legislativa e pela Câmara dos Deputados, é um político experiente, de forte presença no Oeste, mas longe de representar renovação. Seu nome está posto, porém ainda carece de musculatura estadual mais ampla e de uma estrutura partidária coesa que sustente um projeto competitivo ao governo.

Trajetória

Nesse mesmo tabuleiro, surge a possibilidade de Esperidião Amin disputar o Senado. Trata-se de uma das trajetórias mais longevas e respeitadas da política catarinense, com quase meio século de vida pública. Amin agrega densidade, memória institucional e eleitorado fiel, mas sua eventual candidatura se insere mais no campo da experiência do que da renovação.

O MDB e a encruzilhada estratégica

O MDB vive, talvez, o momento mais delicado. O partido ainda não definiu se terá candidatura própria, se apoiará João Rodrigues, se caminhará com Gelson Merisio ou se acabará integrado ao projeto de reeleição do governador Jorginho Mello.

Quem?

O nome mais consistente internamente é o de Carlos Chiodini. Deputado federal, ex-secretário de Estado e liderança em ascensão dentro do partido, ele representa uma transição geracional no MDB. Não é um novato, mas simboliza uma tentativa de atualização de quadros. Caso o partido opte por protagonismo ou por compor uma chapa majoritária, Chiodini é a peça mais natural nesse xadrez.

Jorginho Mello e o eixo da reeleição

No campo governista, Jorginho Mello se movimenta para a reeleição apoiado em uma carreira de mais de quatro décadas de mandatos eletivos. Ex-vereador, deputado estadual por vários mandatos, deputado federal, senador e agora governador, ele encarna a continuidade de um grupo político que se consolidou na onda conservadora recente.

Renovação

Mas é ao redor de sua chapa que surgem os sinais mais evidentes de renovação projetada para o futuro. A deputada federal Carol De Toni desponta como um dos principais nomes ao Senado, com forte identificação com o eleitorado conservador e potencial de votação expressiva. Outro nome relevante é o do prefeito de Joinville, Adriano Silva, do Novo, que já anunciou a intenção de deixar o cargo para compor como vice-governador. Ambos são vistos como lideranças com fôlego para ciclos seguintes, especialmente olhando para 2030.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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