Fechar [x]
APOIE-NOS
Seara/SC
26 °C
13 °C
Início . Blogs e Colunas .Cláudio Prisco Paraíso

Jorginho dispara, mas o Senado ainda promete eletrizar Santa Catarina

Por Cláudio Prisco Paraíso
25/09/2026 - 08h27

O Paraná Pesquisas foi a campo nos três dias seguintes à passagem de Lula e Flávio Bolsonaro por Santa Catarina. Ouviu presencialmente 1.384 eleitores, em 52 municípios, de 20 a 22 de setembro. A margem de erro é de 2,7 pontos.

O resultado mostra uma dianteira expressiva de Jorginho Mello e uma disputa pelo Senado que promete eletrizar a reta final. O governador tem motivos para confiança.

Força espontânea

O primeiro número que chama a atenção aparece antes mesmo de o entrevistador apresentar os nomes. Na espontânea, Jorginho tem 42,5%, contra 10% de João Rodrigues e 6,2% de Gelson Merísio.

Não é pouca coisa. É uma discrepância considerável. O governador está presente na memória do eleitor, enquanto os adversários continuam muito distantes. A oposição tem um problema que discurso de palanque, sozinho, não resolve.

Primeiro turno à vista

Na estimulada, Jorginho chega a 58,8%. João Rodrigues aparece com 16,5% e Merísio com 11,3%. Mantido esse quadro, a eleição para o governo termina em 4 de outubro.

Pesquisa não é urna. Mas também não adianta brigar com o retrato porque não se gosta da fotografia. A vantagem é robusta, e o caminho dos adversários para provocar um segundo turno está cada vez mais estreito neste cenário.

Aprovação de peso

A aprovação do governo chega a 78%, com desaprovação inferior a 20%. Esse dado ajuda a explicar a dianteira de Jorginho.

Os adversários enfrentam uma gestão bem avaliada pela maioria dos entrevistados. Para superá-la, precisam convencer muita gente a trocar um governo que aprova. Uma barreira política e eleitoral considerável. Não basta atacar. É preciso dar ao eleitor uma razão para mudar.

Três para duas

No Senado, a conversa é outra. Considerando as duas escolhas de cada eleitor, Carol de Toni aparece com 42,3%, Carlos Bolsonaro com 36% e Esperidião Amin com 34,2%.

Esse é o primeiro pelotão. Três candidaturas fortes disputando duas vagas. Carol apresenta uma dianteira numérica, enquanto Carlos e Amin estão muito próximos. Há vantagem, mas não há cadeira garantida.

O outro pelotão

Décio Lima registra 15,6%. Antídio Lunelli aparece com 7,2%, à frente de Afrânio Boppré, com 6,6%.

Lunelli busca espaço, mas a distância para os três primeiros é grande. O mesmo vale para o campo da esquerda. Nesta fotografia, Carol, Carlos e Amin concentram a disputa pelas vagas. É ali que está a parte mais imprevisível da eleição catarinense.

O segundo voto

Separadas as escolhas, aparece um detalhe importante. Carol lidera a primeira indicação, com quase 28%, seguida por Amin, com pouco mais de 20%, e Carlos, com quase 19%.

Na segunda indicação, Carlos passa à frente, com pouco mais de 17%. Carol tem 14,5% e Amin, 14,1%.

O segundo voto pode fazer a diferença. Tanto pode dar os dois senadores para o PL como Amin com um dos candidatos do partido. A ordem de preferência ajuda a entender a disputa, mas cada voto tem o mesmo peso na urna.

O desafio de Jorginho

Com a dianteira ao governo, a tendência é que Jorginho intensifique o esforço para eleger os dois senadores. Seria uma demonstração de força político-partidária dentro do PL nacional, especialmente se Flávio Bolsonaro chegar à Presidência.

Eleger Carlos também reforçaria seu prestígio junto à família Bolsonaro. Mas existe um obstáculo com nome e trajetória: Esperidião Amin. A força do governador será testada na capacidade de transferir apoio. Prestígio não significa controle sobre o voto.

A força do sobrenome

Na disputa pela Câmara, Jair Renan tem condições de alcançar uma das maiores votações proporcionais do estado. Se não for o mais votado, tem tudo para ficar entre os primeiros, no contexto de uma projeção eleitoral.

Lula jogou contra o patrimônio e deixou a esquerda de SC de ressaca

Por Cláudio Prisco Paraíso
24/09/2026 - 08h23

A frente de esquerda tem uma conta para administrar depois da passagem de Lula da Silva por Santa Catarina. As declarações despropositadas, estapafúrdias e completamente fora de qualquer contexto eleitoral comprometeram o que deveria ser o grande momento de Gelson Merísio.

:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui

Era para fortalecer o candidato. Mas Lula não precisa de adversário. Ele mesmo joga contra o patrimônio.

Tudo delineado

A estratégia estava claramente delineada: colar a imagem de Lula em Merísio, consolidar os votos de esquerda e buscar espaço no centro. Afinal, o candidato passou por partidos de direita e poderia usar essa trajetória para conversar com outros segmentos ideológicos.

Era essa a oportunidade. Atrair indecisos e disputar eleitores inclinados a Jorginho Mello ou João Rodrigues. Mas o presidente resolveu falar exclusivamente para os seus eleitores.

Aplauso não basta

É muito fácil arrancar aplausos da militância. Difícil é conquistar quem está do lado de fora. E era justamente disso que Merísio precisava.

Lula entregou um discurso que agrada aos convertidos e afugenta quem ainda poderia ser conquistado. A fotografia cumpriu sua função. O conteúdo criou problema. Limitou a área de ação do candidato ao governo.

De joelhos?

Dizer que, pelos recursos destinados à agricultura, o agro deveria se ajoelhar diante dele foi de uma infelicidade absoluta. Lula foi pedir votos e acabou cobrando submissão. Depois pergunta por que não gostam dele. Ora, o próprio discurso ajuda a responder.

A desculpa do preconceito

Ao questionar se a resistência ocorre porque é nordestino ou pobre, Lula procura uma explicação conveniente para um problema político.

Ser nordestino não o impede de ser criticado. Sua trajetória pessoal tampouco torna suas decisões inquestionáveis. O catarinense pode rejeitar seu governo pelas ideias, pelas alianças e pelos resultados. Simples assim.

Transformar divergência em suspeita de preconceito é uma maneira de fugir da discussão. E não ajuda Gelson Merísio a conquistar voto fora do espectro esquerdista.

Falou com o fígado

Para completar, Lula disse que quer vencer para manter Bolsonaro preso. Uma provocação desnecessária, num estado em que o ex-presidente tem enorme força eleitoral.

Ele acabou falando com o fígado. Um pronunciamento passional, de confronto, sem a compostura que se espera de quem ocupa a Presidência da República.

A liturgia do cargo ficou pelo caminho. E o adversário ganhou combustível sem precisar fazer esforço.

As urnas explicam

Basta observar 2022. No primeiro turno, Bolsonaro recebeu 62,21% dos votos válidos em Santa Catarina, contra 29,54% de Lula. No segundo, Bolsonaro chegou a 69,27%, enquanto Lula ficou em 30,73%.

Bolsonaro acrescentou pouco mais de sete pontos. Lula, pouco mais de um. Esse resultado não estabelece um teto para agora, mas mostra o tamanho da resistência que o petista precisa superar.

E o que ele faz? Dá mais motivos para essa resistência continuar.

Merísio sem espaço

Gelson Merísio fica espremido. Precisa de Lula para conquistar votos à esquerda, mas também precisa alcançar quem não vota no presidente. Como fazer isso depois de um discurso desses?

Jorginho e João Rodrigues têm motivos para agradecer a oportunidade. Flávio Bolsonaro também pode aproveitar o ânimo que Lula ajudou a injetar nos adversários.

Não estamos dizendo que o filho repetirá automaticamente a votação do pai. Mas o presidente resolveu dar sua contribuição para aproximá-lo desse objetivo.

O que sobra

Vamos observar o desenrolar dos acontecimentos. As próximas pesquisas poderão mostrar se houve efeito eleitoral. Mas, politicamente, erro crasso.

Lula tinha a missão de fortalecer Merísio. Preferiu o confronto e deixou seu candidato administrando explicações.

A imagem ficou colada. O problema também. E, para a frente de esquerda, o saldo dessa passagem tem nome: ressaca eleitoral.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

24 horas

Portal49
www.portal49.com.br
© 2020 - 2026 Copyright Portal 49

Portaliza - Plataforma de Jornalismo Digital
WhatsApp

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a nossa Política de Privacidade. FECHAR