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Começa a esquentar

Por Cláudio Prisco Paraíso
31/01/2024 - 08h08

Na chegada de fevereiro, as conversações com vistas às eleições municipais ganham intensidade. Até porque a Alesc volta a funcionar normalmente, bem como o próprio Congresso Nacional. 

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Depois, até março, conversas internas também dominarão a pauta para entendimentos entre as lideranças de seus respectivos partidos. 

Abril é o prazo limite para a desincompatibilização de secretários e assessores que vão disputar o pleito de outubro. 

No primeiro escalão de Jorginho Mello dois deputados federais devem deixar o colegiado. Carmen Zanotto, da Saúde, é favorita para conquistar a prefeitura de Lages; e Ricardo Guidi, titular do Meio Ambiente e Economia Verde, que lidera as pesquisas em Criciúma. Carmen é filiada ao Cidadania e Guidi segue no PSD. 

Olhando, contudo, o noticiário, são perceptíveis as movimentações de algumas figurinhas conhecidas, carimbadas, manjadíssimas. Querem ressurgir das cinzas. 

Tripé

Vamos citar três exemplos. A ex-senadora Ideli Salvatti (PT), o ex-senador Dário Berger, que saiu do MDB em 2022 para alistar-no PSB, além de outro ex-senador e ex-governador em mandato-tampão, Leonel Pavan, que foi três vezes prefeito de Balneário Camboriú. Recentemente, ele deu baixa no PSDB depois de três décadas e alistou-se no PSD, partido que tem três ministérios no governo Lula. 

Perfis

Estamos falando de uma petista, de um socialista e de um pessedista com anos de estrada na política catarinense. Mas peraí? Os ventos não são de renovação? Por que estes três personagens estão querendo retornar à vida pública? Pavan sinaliza para disputar a prefeitura de Camboriú, já que sua filha é opção para a majoritária na vizinha Balneário Camboriú. 

Nos bastidores

Pavan está sem mandato já faz um bom tempo. Ideli Salvatti então, nem se fala. Na era PT, ela foi líder do governo no Senado e também liderou o partido na Câmara Alta, além de ter ocupado três posições ministeriais diferentes. Em 2010, a petista finalizou seu mandato. E amargou um resultado duríssimo na disputa ao governo em outubro daquele ano.

 Ostracismo

De lá pra cá - estamos falando de 14 anos - Ideli Salvatti submergiu. Desapareceu. 

Respiro

Após o mandato-tampão como governador em 2010, Pavan ainda se elegeu deputado estadual em 2014, mandato que se encerrou em 2018. Está, portanto, há seis anos fora do jogo. 

De olho

O terceiro personagem é Dário Berger. Cumpriu mandato de senador até 2022, quando tentou a reeleição e ficou em terceiro lugar. O neossocialista aventa a possibilidade de disputar novamente as prefeituras de Florianópolis ou de São José. 

Timing

Dário Berger é parreira que já deu cacho. Deu pra ele. Nisso, pelo menos, teve sensibilidade o ex-governador Raimundo Colombo. Estavam querendo lançá-lo à prefeitura de Lages, mas ele não topou. Salvo uma hecatombe, Colombo seria derrotado por Carmen Zanotto. 

Pule de 10

Ela só perderá esse pleito se o jogar fora. Em 2020, Carmen não venceu por apenas 56 votos. Antônio Ceron reelegeu-se, mas está fora de combate após ser alcançado pela Operação Mensageiro. O PSD é um cadáver insepulto em Lages. 

Currículo

Colombo foi três vezes prefeito da cidade, deputado federal, senador, governador duas vezes, mas perdeu as duas últimas disputas à Câmara Alta (2018 e 2022). É outra figura que já teve seu tempo. Deu pra ele também. 

Quilometragem

Por fim, há um último nome querendo retornar - e este sim com chances reais de reaparecer no cenário estadual: João Paulo Kleinübing. Como começou muito cedo na política, ele já cumpriu mandatos de deputado estadual, federal, além de ter sido duas vezes prefeito de Blumenau. Kleinübing também foi presidente da Eletrosul e secretário de Estado da Saúde. Ainda tem muita lenha pra queimar. 

Onda

Em 2018, JPK era o candidato a vice-governador na chapa de Gelson Merisio. Naquele pleito, a força do Bolsonarismo surpreendeu a todos, guindando Moisés da Silva ao governo. 

Vitrine

Kleinübing hoje é presidente do BRDE, posição estratégica. É um nome que pode ser lembrado com naturalidade na terceira maior cidade do estado. O fato de ter perdido para Mário Hildebrandt em 2020 é do jogo, faz parte do processo democrático. 

Transição 

Vamos sair de uma extremidade migrando para a outra. Em Itajaí, o quadro é bem diferente. A cidade disputa o título de maior economia de Santa Catarina. Nos últimos 42 anos, o município teve apenas quatro prefeitos: Arnaldo Schmitt Júnior, João Macagnan, Jandir Bellini e Volnei Morastoni. 

Heptatlo

Os dois últimos cumpriram sete mandatos (quatro de Bellini e três de Morastoni). Com Volnei Morastoni encerrando a carreira, o MDB tenta criar uma solução nova. Muito embora não tenha nada a ver com o município, o partido está fazendo movimentações para encorpar a pré-candidatura do deputado federal Carlos Chiodini, que tem base em Jaraguá do Sul. 

Oportunidade

Isso ilustra bem que a cidade portuária não criou novos líderes. Neste caso específico, no Manda Brasa, partido tradicionalíssimo em Itajaí.

Omissão em meio à opressão

Por Cláudio Prisco Paraíso
30/01/2024 - 07h58

Com o fim do recesso no Legislativo, observa-se claramente que teremos um enfrentamento interno no Congresso Nacional. Falta de apoio parlamentar é uma realidade sob a atual gestão, desde que Lula III tomou posse. 

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Ausência de respaldo que nem é tanto reflexo do desgoverno. Reflexo mesmo é a omissão, o silêncio, a negligência, a indiferença dos presidentes da Câmara e do Senado em meio às operações realizadas pela Polícia Federal a mando de Alexandre de Moraes. 

Dois deputados, Carlos Jordy (líder da oposição na Câmara) e Alexandre Ramagem (nome forte à Prefeitura do Rio de Janeiro), tiveram seus gabinetes vasculhados em pleno recesso. Suas residências foram “visitadas” pela PF, dentro de investigações as mais variadas que o imperador tupiniquim desencadeia ao bel-prazer. De acordo com seus interesses. 

Até agora, não se ouviu uma palavra de Arthur Lira ou de Rodrigo Pacheco. Silêncio que seguramente fará com que a oposição se articule nas duas Casas, especialmente na Câmara. Obstrução deve ser a reação da oposição diante da omissão de dois presidentes que não têm posição. 

Tíbios

Lira e Pacheco atuam somente de olho em emendas, cargos e outras coisitas máx. Não assumem a defesa do Legislativo de suas respectivas Casas. Caso a obstrução pretendida pela oposição tenha êxito, a estratégia acaba criando dificuldades para eles no relacionamento com o Palácio do Planalto, que no caso de Arthur Lira já não é aquela Brastemp toda. Diferentemente de Rodrigo Pacheco.

Limite

Algo precisa ser feito. Estas buscas e apreensões estão virando rotina. Enquanto isso, o notório Antônio Carlos, de Almeida Castro, o advogado do PT conhecido como Kakay, aquele que foi de Bermuda no Supremo Tribunal Federal e que é amigo de todos os ministros da corte, antecipou, seguramente com informação privilegiada, que 18 parlamentares serão alcançados pelas investigações do diminuto imperador togado. 

Cadafalso

E olha que nem estamos falando daqueles que serão imolados via Tribunal Superior Eleitoral. Assim como já aconteceu com ex-procurador federal, que liderou o Ministério Público ao longo da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol. Foi cassado por isso, por ter a ousadia de combater o crime organizado e mesmo tendo recebido mais de 300 mil votos no Paraná. Viva a democracia! 

V, de Lula e do PT

Os que estão agora na mira são os senadores sulistas Sergio Moro, igualmente do Paraná, e que esteve à frente, vejam só, da Lava Jato; e o catarinense Jorge Seif, considerado o filho 06 de Jair Bolsonaro. Conquistou a vaga à Câmara Alta por SC por ter sido ungido pelo ex-presidente. 

Relatividade democrática 

O regime é assim. Cassa quem bem entende, faz busca e apreensão de acordo com seus interesses. E fica por isso mesmo. Ninguém diz nada. No STF, as demais supremas togas não dão um pio sequer. Todos submissos ao autoritarismo alexandrino.

Decorativo

No Congresso, silêncio sepulcral. Melhor fechar logo as duas casas. Elas não têm mais utilidade alguma no regime estabelecido pelo conluio PT-STF porque silenciam, se curvam às arbitrariedades. 

Perplexidade

O povo brasileiro, quem trabalha, produz e banca a farra toda, segue perplexo diante de tamanhos desmandos. De tamanho arbítrio num contexto em que os presidentes Lira e Pacheco simplesmente submergem. Caminhamos a passos comunistas para o precipício.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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