Vazou um despacho do ministro Alexandre de Moraes que é simplesmente lastimável em seu conteúdo. Deprimente. A decisão está relacionada à morte de Cleriston Pereira, preso pelo 8 de janeiro e que saiu da Papuda em um caixão. Aos 46 anos. Foi o primeiro perseguido e preso político que faleceu nos porões do regime que prega o amor e a democracia. Morte que tem por responsável maior esse cidadão que está no STF.
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O próprio Ministério Público Federal pedia que Cleriston fosse liberado porque apresentava problemas sérios de saúde. Morreu no ano passado. Não se ouviu uma palavra sequer desse senhor, do suprema-sumo das supremas togas. O imperador do Brasil. Nem um pio.
Para agravar a situação, é assustador o posicionamento dele no que diz respeito à solicitação dos advogados da família de Cleriston Pereira, pedindo a devolução do celular do falecido. O senhor Alexandre autorizou a devolução. De uma forma, contudo, que explicita sua desumanidade. O sujeito é absolutamente insensível.
Objeto
Disse que deferia a solicitação da defesa porque a liberação do celular “não interessava mais ao processo.” Entre aspas. Nenhuma referência ao desenlace que culminou com a morte de Cleriston Pereira. É algo inaceitável para um magistrado. Chegamos ao ponto de absoluta insustentabilidade neste país.
Urgente
Esse cidadão precisa ser interditado porque ele transita entre a loucura e a normalidade de maneira muito célere.
Antissocial
O colunista trocou impressões com um amigo médico, de mais de cinco décadas, que definiu o senhor Alexandre como um “psicopata.” Como alguém consegue ser frio a este ponto? É questão não mais de impeachment, e sim de interdição.
Hã?
Mas seus companheiros, colegas de STF, silenciam, mergulham, submergem e o Congresso segue acovardado.
Ensurdecedor
Se os nobres deputados, deputadas, senadores e senadoras já não falam de situações relacionadas à PF em pleno recesso fazendo busca e apreensão em gabinetes parlamentares, seria demais imaginar que os presidentes da Câmara e do Senado iriam se manifestar sobre um cidadão anônimo que já morreu e eles não chegaram a conhecer.
Escuridão
A cada dia a gente percebe que isso não vai terminar bem. Porque é um tijolinho em cima do outro. Tem tudo para desmoronar. É um castelo de cartas erigido sobre a areia. Esse povo ordeiro, pacato e pacífico, o brasileiro, em algum momento vai reagir.
Repeteco
Na quinta-feira, mais uma busca e apreensão contra outro parlamentar do PL vinculado a Jair Bolsonaro. Desta vez foi Alexandre Ramagem. O primeiro, na semana passada, foi Carlos Jordy, alvo da Organização por cometer o crime de liderar a oposição na Câmara. Escancarou-se a perseguição contra quem não se curva ao regime.
Causídico
O senhor Alexandre de Morais age como advogado do governo vermelho e do próprio presidente. O alvo da semana foi aquele que ele impediu que Bolsonaro nomeasse para o comando da Polícia Federal, ou seja, Alexandre Ramagem. O parlamentar é pré-candidato a prefeito do Rio de Janeiro. Já aparecia bem nas pesquisas para desbancar o alinhado Eduardo Paes.
Nada disso
Daí não pode, não dá. Se o político não for parte integrante ou apoiador da Organização, tem que degolar. Tudo muito democrática e ordeiramente, claro. Realmente o amor venceu e o Brasil – da corrupção, da mentira, do coronelismo, do autoritarismo – voltou. Parabéns a todos os envolvidos.
Então, quer dizer que Dário Berger é pré-candidato à prefeitura de Florianópolis. Certo. Ele já foi duas vezes prefeito de São José, transferiu domicílio para a Capital e também conquistou dois mandatos consecutivos por aqui.
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Depois, elegeu-se senador para o período 2014-2022. Está desde 2023 sem mandato. Pelo visto, a abstinência está levando o ex-emedebista, ex-tucano, ex-pefelista e ex-outros vários partidos a avaliar verdadeiramente uma nova candidatura.
Dário encontra-se filiado ao PSB, Partido Socialista Brasileiro. Ele, que foi de direita, PFL, agora é de esquerda. Até porque convicção pouca é bobagem.
Em 2022, o ex-senador tentou a reeleição e ficou em terceiro lugar. Nunca na história de Santa Catarina um representante estadual foi reeleito para a Câmara Alta.
Nesta sexta-feira, 26, estará em Santa Catarina, coincidentemente ou não, o vice-presidente e também Ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, correligionário de Dário Berger. O ex-governador paulista participará da primeira reunião da diretoria da FIESC em 2024.
Ao relento
Alckmin, que, aliás, não conseguiu nenhuma posição para Dário no governo federal. O catarinense estava na expectativa de uma boquinha. Afinal, ninguém é de ferro. Mas ficou a ver navios.
Sextou
Décio Lima, companheiro de chapa do ex-senador em 2022, será o cicerone do vice-presidente na agenda provinciana.
Sem papo
Fala-se, nos bastidores, que o PT efetivamente não estará com o deputado estadual Marquito Abreu, do PSOL, considerado o nome mais forte das esquerdas na eleição em Florianópolis.
Sem replay
A expectativa era repetir em Florianópolis o encaminhamento feito na Capital paulista, onde Guilherme Boulos, do PSOL, será candidato, tendo Marta Suplicy, de volta ao PT, de vice.
Companheiro Berger
Por aqui, o PT sinaliza para candidatura própria. A especulação da vez seria um petista sendo indicado para compor o vice de Dário Berger. Essa chapa (PSB-PT), uma vez consumada, evidentemente que enfraqueceria e muito a candidatura de Marquito.
Bônus
Isso seria muito interessante para Topázio Silveira Neto (PSD), candidato à reeleição. O prefeito sabe muito bem que o PP vai lançar o ex-vereador Pedro Silvestre, o Pedrão, na cabeça de chapa. O progressista circula na mesma faixa eleitoral do alcaide florianopolitano.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.