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PSD em frangalhos

Por Cláudio Prisco Paraíso
19/03/2026 - 08h45

A crise aberta no PSD de Santa Catarina ultrapassou o estágio das divergências internas e ingressou, definitivamente, no terreno da conflagração pública. O que antes era ruído de bastidor virou enfrentamento explícito entre suas principais lideranças — com efeitos diretos sobre o presente eleitoral e, sobretudo, sobre o futuro da sigla no Estado.

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No epicentro desse terremoto político está a fragilidade crescente do projeto de João Rodrigues, que, mesmo após mais de dois anos de pré-campanha, não conseguiu consolidar musculatura suficiente para sustentar uma candidatura competitiva ao governo.

A trajetória de Gelson Merisio ajuda a entender o atual momento. Sua construção política passa diretamente pela influência de Júlio Garcia, hoje presidente da Assembleia Legislativa, e pelo convívio partidário com nomes como Raimundo Colombo, Jorge Bornhausen e o próprio João Rodrigues.

Proximidade

No Oeste, especialmente, Merisio e João Rodrigues chegaram a atuar em dobradinha eleitoral, consolidando bases regionais complementares. Foi nesse ambiente que Merisio ganhou densidade política até alcançar a presidência da Assembleia, fruto de uma engenharia construída por Júlio Garcia.

Divisão histórica

A própria Assembleia foi palco de um episódio que hoje ganha contornos simbólicos. Em uma costura política típica, o comando do Legislativo, por um período de dois anos, foi dividido: o primeiro ano com Jorginho Mello, à época no PSDB, e o segundo com Merisio.

Guinada

Merisio, naquele período, estava no PSD. Após a derrota no pleito de 2018, mudou de posição política e se aproximou do campo da esquerda. Hoje está filiado ao Solidariedade, mas em movimento rumo ao PSB (Partido Socialista Brasileiro).

Frente a frente

Portanto, agora, ambos se reencontram em campos opostos — Jorginho buscando a reeleição pelo PL, enquanto Merisio se movimenta para representar a frente de esquerda, tendo o PT como parceiro principal.

Fogo cruzado

O que poderia ser apenas uma disputa interna evoluiu para um verdadeiro embate entre correntes históricas do PSD. De um lado, João Rodrigues, cada vez mais pressionado. De outro, articulações que envolvem Jorge Bornhausen, Júlio Garcia e a possível volta de Raimundo Colombo como alternativa.

Roupa suja

A exposição pública dessas divergências rompe com um padrão histórico. Sob a influência de Bornhausen, conflitos dessa natureza sempre foram administrados com discrição e método.

Agora, o partido assiste a um processo de desgaste aberto, contínuo e, sobretudo, desorganizado — um verdadeiro “samba do crioulo doido”.

Candidatura frágil

O dado objetivo é incontornável: a pré-candidatura de João Rodrigues não decolou. Falta-lhe densidade política, alianças estruturadas e, principalmente, uma composição de chapa minimamente consistente.

Sem nomes competitivos para vice e Senado, o projeto perde viabilidade — e passa a ser questionado internamente com cada vez menos constrangimento.

Efeito dominó

A crise majoritária já começa a contaminar o plano proporcional. Pré-candidatos à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa observam o cenário com cautela crescente diante de um quadro de desarticulação evidente.

Sobrevivência

Ambiente instável, ausência de rumo claro e risco de isolamento político são fatores que tendem a provocar defecções. Ninguém quer vincular seu projeto eleitoral a uma estrutura que pode não se sustentar até a convenção.

Beneficiados

Nesse contexto, dois atores colhem dividendos imediatos. De um lado, Jorginho Mello, que avança sobre o espaço político deixado pela desorganização adversária. De outro, Gelson Merisio, que encontra terreno fértil para reposicionar a esquerda em um estado historicamente refratário a esse campo e majoritariamente conservador.

A fragmentação do PSD abre flancos — e, em política, flanco aberto é convite à ocupação. Simples assim.

Encruzilhada

O PSD chega, portanto, a um ponto crítico. Ou recompõe minimamente sua unidade e redefine com clareza seu projeto eleitoral, ou corre o risco real de não apenas fracassar na disputa majoritária, mas também comprometer sua própria relevância no cenário político catarinense.

Mais do que uma eleição, está em jogo a sobrevivência competitiva do partido em Santa Catarina.

PP sinaliza apoio a Jorginho

Por Cláudio Prisco Paraíso
18/03/2026 - 08h17

O encaminhamento da cúpula do Progressistas, em reunião marcada por momentos de tensão nesta segunda-feira à noite, redesenha, com nitidez, o tabuleiro da sucessão estadual. Por ampla maioria — praticamente unanimidade — candidatos proporcionais da sigla sinalizaram apoio à reeleição do governador Jorginho Mello, consolidando um movimento que já vinha sendo gestado nos bastidores e que agora se materializa com efeitos imediatos sobre aliados e adversários.

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O gesto não apenas fortalece o projeto do atual governador, como também amplia o isolamento do pré-candidato do PSD, João Rodrigues, que segue enfrentando dificuldades crescentes para estruturar uma candidatura competitiva, conforme temos observado neste espaço. Ainda mais se considerarmos que João colocou o bloco na rua antes mesmo de se reeleger prefeito da capital do Oeste.

Voto vencido

Entre as principais lideranças progressistas presentes, apenas o deputado estadual Altair Silva destoou, mantendo fidelidade ao projeto de João Rodrigues. O gesto, no entanto, foi isolado e incapaz de alterar a postura já consolidada dentro do partido. Além de isolada, foi uma posição previsível: Altair tem base política em Chapecó.

Amin cede

Ainda que contrariado, o senador Esperidião Amin deixou claro que seguirá a orientação partidária — movimento que expõe, de forma inequívoca, a força do consenso interno. Amin, que nunca trocou de partido, se pronunciou sem citar qualquer candidato ao governo. E deixou o encontro antes do final.

Tripé

Na prática, isso implica a aceitação de um cenário que o próprio Amin rejeitava até pouco tempo: a presença de três candidaturas competitivas ao Senado para apenas duas vagas no campo conservador.

Arranjo ao Senado

O desenho que se impõe é peculiar. O PP lançaria Amin em candidatura avulsa ao Senado, enquanto, na chapa encabeçada por Jorginho Mello, estarão Carol De Toni e Carlos Bolsonaro.

Na prática, PL, PP e Novo caminhariam juntos no plano majoritário estadual, mas com interesses que podem colidir diretamente na disputa pelas vagas ao Senado — especialmente no que diz respeito ao desempenho de Carlos Bolsonaro diante da presença de Amin. Como já reiteramos aqui, a grande disputa em Santa Catarina será pelas duas vagas à Câmara Alta.

Federação manda

No campo institucional, a futura federação entre PP e União Brasil tende a seguir a mesma direção. O recado de Brasília é inequívoco: a palavra final caberá a quem detém o mandato mais relevante — no caso, o senador Esperidião Amin.

Goela abaixo

Isso coloca o deputado federal Fábio Schiochet e demais lideranças do União Brasil em posição de alinhamento automático ao encaminhamento definido pelo senador e pelo conjunto da federação. Vale lembrar que a cúpula do União Brasil vinha mantendo conversas avançadas com João Rodrigues.

PSD encurralado

Enquanto isso, o PSD de João Rodrigues vê seu espaço político encolher de forma acelerada. O avanço de Jorginho Mello sobre partidos estratégicos — PP, União Brasil e até setores do MDB — cria um cenário de compressão que dificulta, cada vez mais, a montagem de uma chapa robusta a ser liderada pelo prefeito.

Incógnita

O próprio João Rodrigues já admite hipóteses antes improváveis, como a possibilidade de não disputar o governo ou até mesmo de deixar o partido.

A renúncia anunciada para o próximo dia 21, em Chapecó, passa a ser um ponto de interrogação: será mantida ou revista diante do novo quadro?

O colunista vem apostando, há bastante tempo, que João não será candidato a governador — por diversos fatores.

Caminhos fechados

As alternativas são escassas. Uma eventual migração de João para União Brasil ou PP esbarraria no fato de que ambos caminham, direta ou indiretamente, com Jorginho Mello.

Restaria o MDB — mas ali também há fissuras importantes, com segmentos já inclinados à reeleição do atual governador.

E, convenhamos, a esta altura do campeonato, o prefeito sair do PSD para se aventurar em uma candidatura pelo MDB é, no mínimo, improvável. Não seria um movimento politicamente palatável nem estratégico.

Polarização

O desfecho mais provável começa a ganhar contornos: uma eleição fortemente polarizada, reproduzindo no Estado o embate nacional.

Em Santa Catarina, a polarização tende a se consolidar entre Jorginho Mello, pela direita, e Gelson Merisio, representando o campo da esquerda.

Sem espaço

Eventuais articulações alternativas, como uma candidatura estimulada por Jorge Bornhausen ou envolvendo Raimundo Colombo, esbarram em um problema elementar: falta de base partidária disponível. Inexistência de aliados.

Com as principais siglas já comprometidas — seja formalmente, seja por alinhamento político —, o espaço para uma terceira via competitiva praticamente desaparece.

Além disso, não há, neste momento, um discurso consistente que sustente essa construção.

Jogo definido

No fim das contas, o movimento do PP é um ponto de inflexão que acelera a consolidação de forças e antecipa, com meses de antecedência, o desenho central da disputa de 2026 em Santa Catarina.

E, neste momento, todas as setas apontam na mesma direção: vantagem estratégica para quem já está no poder — o governador Jorginho Mello, que caminha com força para tentar liquidar a fatura ainda no primeiro turno.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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