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Velocidade pela degola

Por Cláudio Prisco Paraíso
27/03/2025 - 08h36

Nesta terça-feira, começou, em Brasília, o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de uma série de colaboradores. Nunca o Supremo foi tão diligente e célere para marcar um julgamento.

Tem casos que rolam há anos, décadas, mas quando o assunto é, para levar a bom termo, a perseguição à família Bolsonaro, aí tudo efetivamente ganha um ritmo acelerado. Um espetáculo deprimente. Primeiro porque esse julgamento, se é que fosse para realizar no Supremo, teria que ser no plenário.
Na verdade, é numa turma em que três votos já são conhecidos. Portanto, a denúncia será aceita. Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin têm posições pretéritas claras.
Zanin foi advogado quando Lula da Silva estava preso. E Flávio Dino já declarou, na qualidade de candidato ao Senado em 2022, que Bolsonaro era o próprio demônio. Alexandre de Moraes dispensa comentários.

Erro crasso

E outro detalhe. Ele nem poderia estar sendo julgado no Supremo. Ele não tem foro privilegiado. Ele tinha que estar sendo julgado na primeira instância. Se é que tinha que estar sendo julgado, como aqueles mil e tantos brasileiros, tinham que ser julgados na primeira instância. Mas o Supremo chama tudo para si.

Supremacia

A Corte exorbita, avança sobre atribuições de outros Poderes e, internamente, no contexto do Judiciário. Porque se considera o dono do pedaço. Se considera o poder acima dos demais. E o efetivo, real, responsável pelos destinos do Brasil.

Armação

Que golpe de 8 de janeiro? Isso não passa de uma ficção. Se houve golpe, foi patrocinado pelo governo, que queria colocar um ponto final na ocupação das imediações de vários quartéis do Exército país afora. Aí armaram um golpe com os verdadeiros vândalos e os verdadeiros criminosos entrando pelo Palácio do Planalto. Esses nunca foram procurados. Portanto, não foram localizados.

Ilesos

Consequentemente, não foram processados. E muito menos julgados ou condenados. É tudo uma farsa. É um jogo de cartas marcadas. Resultado do Consórcio Supremo e Planalto. Simples assim.

Mídia alinhada

E tudo isso acontecendo com a complacência de 90% dos veículos de comunicação. Que fazem parte desse sistema vicioso, tendencioso, que objetiva derrubar justamente o segmento da política nacional majoritário no país. A começar pela figura de Jair Bolsonaro, que continua sendo individualmente o maior eleitor de Santa Catarina e do Brasil.

Encurralado

Se Lula não pode circular por nenhuma rua de qualquer cidade brasileira, nem mesmo mais no Nordeste, Bolsonaro, por onde vai, carrega multidões. É triste constatar o rumo que o Brasil vem seguindo. E só temos três alternativas.

Covardes

Diante do acovardamento do Congresso Nacional, da omissão do Senado, que insiste em não fazer a apreciação de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo, diante desse estado de coisas, as esperanças ficam de fora para dentro, no Congresso e no governo americano.

Reações

Que possa provocar sanções ao Brasil e, assim, frear o ímpeto de figuras como Alexandre de Moraes, que precisa ser detido, e cujo comportamento não merece restrição dos ministros que compõem a Suprema Corte.

Sinais

É bem verdade que agora Luiz Fux já está reagindo um pouquinho; André Mendonça continua na resistência, mas Nunes Marques vai e volta.

Tio Sam

Primeira alternativa, Estados Unidos de fora para dentro. Segunda opção, asfalto. A população ocupar o asfalto, parar o país. Vide o que ocorreu no Chile.

Paz

Não precisa fazer greve, nem depredação. Ninguém defende isso, mas parar o país. Para que eles possam, as autoridades, perceber uma reação popular. Não sendo essas duas alternativas, resta a providência divina. As orações e a fé do povo.

Diferenças

E essa, a fé no Criador, nunca se sabe. Qual o ritmo e a sequência que ela vai se tornar real. Porque o tempo de Deus não é o tempo dos homens.

Timidez na arrancada

Por Cláudio Prisco Paraíso
26/03/2025 - 08h28

Considerando-se a baixa adesão e a tímida representatividade do evento que marcou o lançamento da pré-candidatura de João Rodrigues ao governo do estado, internamente o PSD está fazendo suas avaliações.

Naturalmente, para o público externo, a mensagem é que foi um sucesso, que reuniu cinco mil pessoas. Pelo visto, contudo, foram de duas a três mil. No limite. Mas que tenha sido cinco mil. Tudo bem, aceitamos que tenha sido.

Estamos falando de um contingente que é possível mobilizar com ônibus acionados em vários municípios que foram deslocados até a Capital do Oeste. Mas o importante não é isso, e desde a semana passada temos batido nesta tecla.

O fundamental é saber da representatividade. Não é a quantidade, é a qualidade que realmente conta.
O nome nacional foi Ratinho Júnior, governador do Paraná, hoje pré-candidato à Presidência da República. Ok, é um bom nome.

Envergadura

Vamos para Jorge Konder Bornhausen, também uma referência catarinense que brilhou no país como presidente nacional do PFL por quase quinze anos; cumpriu dois mandatos de senador e também foi governador. É alguém que, mesmo sem mandato, continuou a ter protagonismo em Brasília, o que é raríssimo. Estamos falando ali da década de 90 e do início do novo milênio.

Reforço

A sua presença, claro, engrandece a caminhada de João Rodrigues, mas, sob o aspecto prático, ele não está mais na lida da política. JKB se afastou há um bom tempo, até pela idade avançada. Agora, vamos para as lideranças estaduais.

Dupla

Essas duas figuras nacionais, embora uma sendo de origem catarinense, foram o suficiente para o evento. Mas, nas estaduais, quem efetivamente marcou presença que possa sinalizar que a arrancada foi para valer? Os três estaduais do PSD, o único federal do partido, um federal do União Brasil e outros dois estaduais do PP e União Brasil. Seriam esses? Muito pouco, convenhamos, muito pouco.

Naco

Dos 16 federais, apenas dois; dos 40 estaduais, apenas cinco apareceram em Chapecó. Nenhum senador. A representatividade do MDB, do PP, do Novo, de todos esses partidos, deixou muito a desejar. Até a do Podemos e a do União Brasil não foi uma Brastemp.

Caseiro

Sem falar nas ausências de pessedistas, como Topázio Silveira Neto, que administra a Capital do estado, a principal base do PSD, e já comprometido com a recondução de Jorginho Mello.

Distância

O ex-governador de dois mandatos, ex-senador, deputado federal, deputado estadual, três vezes prefeito de Lages, Raimundo Colombo, não deu as caras. Assim também fez Leonel Pavan, prefeito de Camboriú, ex-governador, ex-senador.

Risco

O lançamento precoce dessa pré-candidatura será um desafio para João Rodrigues. O raciocínio é o seguinte: ele tinha que colocar o bloco na rua com antecedência para buscar visibilidade. Ok, mas antecipou demais.

Contexto

Não tem nem três meses do mandato de prefeito para o qual ele foi reeleito. Estamos ainda em março de 2025. E a eleição é em outubro de 2026. João Rodrigues precipitou a disputa sucessória sem necessidade e não vai levar vantagem nisso.

Força da máquina

Jorginho Mello está no governo, tem a máquina, tem a maioria das prefeituras do estado. Somente o PL administra 90 municípios. Sem falar nos outros partidos que têm prefeitos que vão estar com ele. Tem ainda Jair Bolsonaro como principal eleitor. Então, até que ponto ele vai conseguir, João Rodrigues, manter essa candidatura de pé até outubro do ano que vem? Essa é a incógnita.

Viés

João Rodrigues, embora tenha garantido que vai para o governo do estado, estaria aí para negociar uma candidatura ao Senado? Parece improvável, se não impossível. Porque o PL terá dois representantes na chapa majoritária. Como serão duas vagas ao Senado, são quatro posições. Só que duas, ou as duas do PL, já estão definidas.

Geografia

Jorginho Mello candidato à reeleição ao governo e Carol De Toni ao Senado. E ponto final. Carol, recordista de votos nas eleições proporcionais de 2022, com quase 250 mil votos para a Câmara, no ano passado presidiu a poderosa CCJ na Câmara e, este ano, vai atuar como líder da minoria na mesma Câmara dos Deputados. É um nome que será respaldado tanto por Bolsonaro quanto por Jorginho.

Ex-rivais

Sobram duas vagas. Uma tem que ir para o MDB e a outra entre o PP e o Novo. Não tem espaço para o PSD. Sem falar no componente regional. Ora, João Rodrigues ao Senado? Aí seriam três representantes do Oeste para quatro vagas? Impossível. Numa eventualidade de o PSD vir a integrar a chapa majoritária, teria que ser o nome de outra região.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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