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Circo Brasil

Por Cláudio Prisco Paraíso
20/09/2025 - 07h46

Nos últimos dias só se fala no pedido de urgência da anistia daqueles brasileiros que foram condenados com penas despropositadas pelo Supremo Tribunal Federal, também alcançando militares colaboradores do governo Bolsonaro e o próprio ex-presidente. Hugo Motta, presidente da Câmara, atendeu aos apelos formulados pelas bancadas de oposição, e o pedido foi aprovado com mais de 300 votos.

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Até parlamentares da esquerda respaldaram, entre eles, uma dúzia de petistas. Observando essa realidade, é imperioso questionar: essa anistia é para valer? A resposta é óbvia. Não passa de um espetáculo teatral, uma encenação, inclusive da própria oposição, para terem discurso na linha do “olha, tentamos, aprovamos o pedido de urgência, mas não foi possível.”
Por que o colunista afirma isso? Basta ver o nome escolhido pelo presidente da Câmara para ser o relator. Ele, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical, que alguns anos atrás foi condenado a 10 anos pela primeira turma do Supremo Tribunal Federal, e depois absolvido em plenário. Mais um descondenado, mais um esquerdista corrupto.

Claro

Este sanguessuga dos trabalhadores, ultimamente, tem qualificado Alexandre de Moraes como um democrata e considera aqueles brasileiros do oito de janeiro não como golpistas, mas sim como terroristas. Mas se cala ante MST, MTST, só pra ficarmos no território tupiniquim.

Canalha

A verdade é que nem golpistas eles foram, e Paulinho da Força os considera terroristas. Já avisou: não tem como encontrar solução individual para anistiar Jair Bolsonaro.

Blá blá blá

Não haverá cancelamento de sentenças, de penas, mas a redução delas. Ou seja, tudo maquinado, tudo alinhavado, num acordão com o próprio Supremo Tribunal Federal. E aí Bolsonaro fica em prisão domiciliar como consolo, como proposta de consolação.

Ratalhada

Parte da oposição vai reagir, os liberais; mas a outra parte, aquele centrão pragmático, esqueçam, não querem mais saber de Lula porque virou leproso. Seu “governo” está inviabilizado e estão todos devidamente afinados com o setor financeiro e também com a classe empresarial, que deseja Tarcísio de Freitas. Simples assim.
O governador de São Paulo é o candidato temido pelo sistema, pelo “governo” e pelo Planalto, porque é aquele com melhores perspectivas de crescimento.

Enterro

Então, a anistia vai morrer, literalmente, na casca. E vamos caminhar para um processo eleitoral que, muito provavelmente, vai reunir como principais protagonistas o próprio Lula da Silva (que novidade!), se efetivamente encarar as eleições.

Vermelho

As pesquisas é que vão sinalizar. Se as perspectivas forem desalentadoras, considerando que já tem mais de 80 anos, a deidade vermelha vai bater em retirada.
A última imagem é a que fica. Se o cenário for desfavorável, Lula vai lançar outro nome e vai curtir a vida. Essa que é a grande verdade. Porque, se ele está imaginando que o ponto de definição das eleições será a soberania nacional, esse papinho furado — que foi a única e última bandeira que ele conseguiu desfraldar, em meio ao tarifaço e às sanções do presidente Trump, provocadas por ele — está redondamente enganado.

Embretado

Lula fez tudo de forma premeditada. Dane-se o Brasil, o trabalhador, o profissional liberal, o empresário, a dona de casa. Ele queria isso mesmo porque não tinha mais saída. Só que o brasileiro não vai votar por questão relacionada à soberania nacional.

Aritmética

O cidadão vai votar com um B ao quadrado: B de barriga, B de bolso. Como bem disse o marqueteiro que elegeu Bill Clinton, quando George Bush pai completava o primeiro mandato, invadiu o Iraque, estava com a popularidade em alta, mas a situação do poder aquisitivo do americano estava na lona — assim como ocorre hoje no Brasil. É dele a frase que é aplicável ao momento atual do Brasil como projeção para a disputa eleitoral de 2026: “É a economia, estúpido.” Aliás, ao que parece, Lula da Silva revela-se um estúpido ou, circunstancialmente, está enganando os próprios aliados e correligionários, acenando com uma nova candidatura que, no sentimento de muitos integrantes da esquerda nacional, não vai se materializar. Porque Tarcísio de Freitas começa a ganhar contornos de uma candidatura que veio para ficar.

Um estado conservador

Por Cláudio Prisco Paraíso
19/09/2025 - 08h07

Não é novidade para ninguém que o eleitorado catarinense é essencialmente conservador. E não é de hoje. Basta darmos uma olhada na história. Desde o restabelecimento das eleições diretas para os estados, em 1982, quando houve a disputa entre Esperidião Amin e Jaison Barreto, do MDB, que era da corrente mais à esquerda do partido.

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Depois desse embate, quem ganhou foi Pedro Ivo Campos, igualmente emedebista, mas da ala conservadora.
Na sequência, veio Vilson Kleinübing. Paulo Afonso Vieira o sucedeu. Também do MDB, mas moderado. Houve o retorno de Esperidião Amin, a chegada de Luiz Henrique da Silveira, que nunca foi radical ou sectário no contexto emedebista. Reelegeu-se e fez Raimundo Colombo governador em duas oportunidades. Ele era filiado ao Democratas, hoje PSD, partido de centro.
Na sucessão de Raimundo Colombo, houve a surpresa, quando Santa Catarina deixou claro que, além de conservadora, passou a ser potencialmente bolsonarista. E isso nem mesmo o candidato Jair Bolsonaro esperava.

Estouro

Foi uma surpresa. Quando as urnas foram abertas, Bolsonaro, no segundo turno, fez quase 76% dos votos válidos contra Fernando Haddad.

Marca

Já no primeiro turno, o ex-presidente também conquistou uma votação expressiva: quase 70% dos sufrágios. Não bastasse isso, elegeu um ilustre desconhecido, um bombeiro da reserva, coronel Carlos Moisés, governador.

Ex-pessedista

Moisés venceu Gelson Merisio, do PSD. Lucas Esmeraldino, vereador em Tubarão à época, não se elegeu senador na segunda vaga por 18 mil votos, sendo suplantado por Jorginho Mello.

Dezena

Essa avalanche eleitoral elegeu seis deputados estaduais e quatro federais. Em 2022, na reeleição de Bolsonaro contra Lula da Silva, no segundo turno, o placar foi de 70% a 30%.

Currículo

Isso falando de um ex-presidente de dois mandatos. Mesmo assim, naquela oportunidade, Bolsonaro elegeu outro ilustre desconhecido, Jorge Seif, ao Senado, além do próprio Jorginho Mello — este já com oito eleições nas costas. Em 2022, a segunda de Bolsonaro em SC fez onze deputados estaduais e seis federais.

Rejeição

De modo que a realidade está imposta e o PT e a esquerda enfrentam dificuldades. Nas eleições de 2024, o PT elegeu sete prefeitos de cidades de pequeno porte. Nenhum outro partido de esquerda elegeu prefeito em Santa Catarina. A esquerda nunca governou o estado.

Conexão

Talvez por isso se explique a articulação que está sendo feita agora — observem a ironia do destino — pelo próprio Gelson Merisio, que deixou a vida pública com aquela derrota de 2018.

Favoritismo

Registre-se que ele tinha tudo para se eleger. Contudo, a onda bolsonarista o derrotou. Merisio deixou os holofotes. Aliás, não custa lembrar que teria sido eleito se tivesse colocado Lucas Esmeraldino como vice, composição que chegou a ser articulada.

Movimento

Mas, na undécima hora, Esperidião Amin abriu mão da candidatura ao governo, aceitando concorrer ao Senado em dobradinha com Raimundo Colombo. Contudo, condicionou esse encaminhamento ao aproveitamento de João Paulo Kleinübing como vice de Merisio.

Orientação

Lucas Esmeraldino sobrou. E, contrariando a vontade do próprio Jair Bolsonaro, deixou o PSL lançar Carlos Moisés ao governo.

Convicto

Em 2022, Merisio já estava na articulação da esquerda. Abriu mão de ser vice de Décio Lima, oportunizando que o PT pegasse um nome do Sul do Estado, uma representante feminina.
Ao Senado, encaixaram Dário Berger, que nunca teve ideologia, apenas partido e projeto próprio.

Bastidores

Merisio continua articulando, traumatizado pela oportunidade que perdeu de ser governador diante da ventania bolsonarista.

Camaleão

Agora o que deseja é colocar um candidato de perfil conservador em um partido de esquerda. Aliás, foi o que aconteceu com Geraldo Alckmin, que era do PSDB e foi para o Partido Socialista Brasileiro ser vice de Lula da Silva.

Nada feito

Em Santa Catarina, Gelson Merisio, exímio articulador, flertou com Raimundo Colombo, que declinou. Ao que parece, a bola da vez é o ex-senador Paulo Bauer, que já foi do PSDB. Já adiantamos: Bauer não vai aceitar essa guinada.

Sem lideranças

O desejo de Merisio é que um dos dois fosse candidato ao governo, pelo PSB, com Décio Lima candidato ao Senado.
Ou seja, é a esquerda catarinense reconhecendo que não tem a menor perspectiva eleitoral em Santa Catarina, tendo que recorrer a nomes de perfil conservador.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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