Fechar [x]
APOIE-NOS
Seara/SC
30 °C
16 °C
Início . Blogs e Colunas .Cláudio Prisco Paraíso

Vai ou não vai?

Por Cláudio Prisco Paraíso
10/12/2025 - 08h11

Na família Bolsonaro, o primogênito, Flávio, sempre foi considerado o mais ajuizado, o mais equilibrado, aquele que exercia quase em plenitude o bom senso — característica que não se observa nem no patriarca Jair, muito menos nos irmãos Carlos e Eduardo, ambos afeitos a polêmicas e sempre acionando a metralhadora giratória.

:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui

Preso, o ex-presidente fez a opção pelo senador carioca para representá-lo na disputa presidencial. Em um primeiro momento, causou certa perplexidade. As apostas recaíam sobre o nome do governador Tarcísio de Freitas.
Logo na sequência, surgiu a possibilidade de, mais adiante, Flávio compor como vice do próprio Tarcísio, ou até buscar a reeleição no Rio, preservando o governador paulista nesse período.

Jogando

Só que, menos de 48 horas depois do anúncio, ele já admitiu abrir mão, dizendo que a candidatura tinha “preço” e que, na segunda-feira, anunciaria qual seria esse preço.
Falou em anistia aos condenados do 8 de Janeiro e também em “Bolsonaro Livre”.

Não mais que de repente, já não era mais isso. Não havia mais preço e ele não admitia mais abrir mão da candidatura.

Arrancada

É um péssimo início. Justamente na largada, quando Flávio Bolsonaro precisaria se afirmar, sua arrancada foi pra lá de meia-boca.

Respingos

E em Santa Catarina, como fica?
Para Jorginho Mello, pode até ser interessante ter um Bolsonaro — integrante da família — como candidato a presidente. Seria o 22 na urna, lá e cá, repetindo 2022.

Laços

Além disso, a vinculação com o bolsonarismo ficaria reforçada.
Dois filhos de Jair vão concorrer em Santa Catarina:
• Carlos Bolsonaro ao Senado, na chapa de Jorginho;
• Jair Renan a deputado federal.

Preferência

Mesmo que Flávio Bolsonaro não se eleja, vale lembrar que o eleitorado catarinense é potencialmente conservador e essencialmente bolsonarista.
Jorginho tem o apoio de vários partidos, um grande número de prefeitos, a máquina estadual e é candidato à reeleição.

Timing

E mais: o governador não tem adversários competitivos.
Mas tudo ainda é muito incipiente.
Não se pode descartar que, adiante, Flávio aceite compor de vice em uma chapa liderada por Tarcísio de Freitas.
Nesse caso, evidentemente, ele não concorreria à reeleição no Rio.

Vacância

E então: para que Carlos viria para Santa Catarina, se teria espaço reservado no próprio Rio pelo irmão?
Um dos motivos da transferência do 02 para o estado seria justamente a disputa de Flávio pela reeleição fluminense.

Imprevisíveis

Mas, tratando-se da família Bolsonaro, tudo é possível.
Mesmo sem Flávio disputar a reeleição, Carluxo pode querer vir para cá.

Janelas

Essa leitura é mais uma prova de que muita coisa ainda vai acontecer até o primeiro prazo fatal das eleições do ano que vem: o prazo de desincompatibilização e da janela de transferências partidárias, que expira no dia 4 de abril.

Definição

O segundo grande prazo é o das convenções partidárias, que se encerram em 5 de agosto.
Como ainda estamos em dezembro, até o primeiro prazo há pela frente praticamente quatro meses: dezembro, janeiro, fevereiro e março.
Pouco menos de 120 dias — o que, na política, é uma eternidade.

Movimentos calculados

Por Cláudio Prisco Paraíso
09/12/2025 - 08h19

A semana passada se encerrou com a novidade apresentada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, que, mesmo preso e incomunicável, mandou um recado pelo primogênito, senador Flávio Bolsonaro, indicando que o 01 é o nome para concorrer à Presidência da República.
É possível afirmar que, internamente, esse movimento de Bolsonaro busca duas situações: a reaglutinação da unidade partidária e a recomposição familiar.

:: Quer receber gratuitamente notícias por WhatsApp? Acesse aqui

Vamos começar pelo componente da prole.
Michelle Bolsonaro estava correndo o país como presidente nacional do PL Mulher e já se insinuando com um discurso que ganhava contornos presidenciais. Chegou a comentar que toparia ser vice, inclusive, de Tarcísio de Freitas.

Depois, houve aquele ruído familiar quando ela, em visita a Fortaleza, declarou apoio a Eduardo Girão, do Novo, ao governo do Estado. Ela foi além e acionou a metralhadora giratória contra a direção estadual do PL por ter fechado com Ciro Gomes. A aliança implodiu.

Contra-ataque

Os quatro irmãos — incluindo Jair Renan, vereador de Balneário Camboriú — vieram e bateram pesado na ex-primeira-dama.
Ato contínuo, Flávio pediu desculpas à madrasta, na qualidade de enteado mais velho.

Fica claro, portanto, que o lançamento do nome do senador carioca para a sucessão foi também para acertar o baralho no contexto familiar e deixar claro que o nome é Flávio.

Freio de arrumação

No contexto partidário, a movimentação também foi necessária porque, se uma parte do partido — inclusive nas bancadas da Câmara e do Senado — segue fielmente as orientações do ex-presidente, outra parcela já vinha se ensaiando e se assanhando para pegar carona no Centrão e fechar com Tarcísio.

Blindagem

Paralelamente a isso, imaginou-se que poderia ser um blefe, uma jogada de Bolsonaro para preservar o governador de São Paulo de investidas do governo, da esquerda e do PT.
Mais adiante, Flávio poderia retirar a pré-candidatura e todos fechariam com Tarcísio — quem sabe com o próprio primogênito compondo como vice.

Moeda

Surpreendentemente, neste domingo, Flávio — com menos de 48 horas como pré-candidato — disse que poderia bater em retirada.
Admitiu retirar seu nome, mas que isso teria um preço. E ficou de anunciá-lo nesta segunda-feira, em Brasília.

Muito se comenta que a moeda de troca seria uma anistia geral e irrestrita.

Bússola

O que se observa é uma direita completamente desorientada, sem prumo nem rumo.
Bolsonaro está desestabilizado emocionalmente pelos problemas de saúde, pela condenação e pela prisão na carceragem da Polícia Federal.

Do barulho

Seus filhos são polêmicos — a exceção é Flávio, mas que já dá uma rateada ao afirmar que sua retirada pode ter um “preço”.

Ainda no campo conservador, há outros presidenciáveis.
Tarcísio de Freitas respalda seu nome.
Ronaldo Caiado segue pré-candidato.
Ratinho Júnior e Romeu Zema comentaram o cenário sem entrar no mérito de eventual participação na disputa presidencial.

O quadro é nebuloso neste apagar das luzes de 2025.

Calendário

Há duas semanas decisivas no Congresso, que prometem muito calor — não apenas no contexto das votações legislativas e dos vetos presidenciais que poderão ser derrubados, mas também nas respostas tanto da Câmara quanto do Senado.

Agora vai?

As duas Casas, inclusive reunidas como Congresso, podem se posicionar em relação ao Supremo Tribunal Federal, diante do que vem sendo observado — como a medida desbaratada de Gilmar Mendes ao determinar que pedidos de impeachment contra ministros do STF só possam ser apresentados pela PGR.

Conluio

Some-se a isso Dias Toffoli, que colocou sigilo total no caso Master — uma vergonha, um escracho.
Obviamente, nada será investigado se não passar por ele no Supremo.
Com o sistema de freios e contrapesos ignorado pelo STF, o Congresso pode dar uma resposta — não só ao Supremo, mas também ao Palácio do Planalto.

Já passou da hora de os eleitos pelo povo imporem um freio a esse consórcio que tanto mal tem feito ao país.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

24 horas

Portal49
www.portal49.com.br
© 2020 - 2026 Copyright Portal 49

Portaliza - Plataforma de Jornalismo Digital
WhatsApp

Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a nossa Política de Privacidade. FECHAR