Definitivamente, o ministro Alexandre de Moraes está ultrapassando todos os limites toleráveis, aceitáveis e constitucionais. Sua conduta já não se sustenta diante da esmagadora maioria da opinião pública — independentemente se o cidadão é de direita, esquerda ou centro.
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Seu último despacho é um escândalo: ameaçar de prisão o ex-presidente Jair Bolsonaro se veículos de imprensa divulgarem declarações dele nas redes sociais. Isso mesmo: se um terceiro veicular algo dito por Bolsonaro, a responsabilidade recai... sobre Bolsonaro. Absurdo é pouco.
Censura escancarada
Mas como assim, cara pálida? Onde vamos parar?
Isso é censura prévia — na forma mais pura, mais escandalosa e mais inconstitucional. Já é revoltante o ex-presidente estar impedido de usar redes sociais. Já é abusivo obrigá-lo a usar tornozeleira eletrônica — sendo que nem condenado ele é. Agora, proibir que ele fale em um vídeo veiculado por outra pessoa? Isso é um delírio autoritário.
Se falar é crime, então que o prendam logo. Mas que deixem claro ao país: estamos sob uma ditadura togada.
O dono do Brasil?
O ministro transborda autoritarismo e pratica variadas arbitrariedades. Parece se considerar o dono do mundo, o imperador do Brasil. Até quando?
A própria divergência recente do ministro Luiz Fux, que votou contra as medidas cautelares impostas a Bolsonaro, é um sinal: já não há unanimidade nem no STF. E a crítica do ex-ministro do STF, Marco Aurélio Mello, foi direta: sugeriu que Moraes precisa de divã — ou seja, perdeu o juízo.
Silêncio
Como se não bastasse, veículos de comunicação alinhados ao governo e ao STF — o chamado “consórcio” da imprensa, a mídia chapa branca — silenciam. Compactuam. Acobertam.
Não denunciam o abuso. Não denunciam o autoritarismo. Estão ajudando a destruir o que resta de liberdade no Brasil.
O Brasil cobra ação
Não dá mais para assistir passivamente a esse estado de coisas.
O Congresso Nacional precisa reagir. Os presidentes Davi Alcolumbre e Hugo Motta têm o dever institucional de se posicionar. Sabemos que as casas legislativas hoje funcionam como regimes presidencialistas — o presidente da Câmara manda mais que os outros 512 deputados; o presidente do Senado, mais que os 80 senadores. Mas isso não justifica a omissão.
Mesmo em recesso, o mínimo que se espera é que já deixem convocado algo para o retorno. Ou, se necessário, que o recesso seja interrompido. O povo está atento.
Nossa vez
A pressão popular precisa crescer. Porque, lá fora, a reação já começou. A imprensa internacional observa, os organismos estrangeiros se mobilizam — e é inadmissível que a normalidade do Estado de Direito no Brasil dependa de pressão externa.
Isso é uma vergonha.
Não é mais sobre Bolsonaro. É sobre liberdade, democracia, e o direito de qualquer cidadão.
Em 2018, Lula da Silva estava preso, condenado a mais de 12 anos por corrupção. Mesmo assim, o Partido dos Trabalhadores lançou Fernando Haddad como candidato à Presidência. Era o “poste” de Lula, que acabou derrotado nas urnas por Jair Bolsonaro — então um verdadeiro azarão, que surfou na onda do voto anti-PT e anti-Lula.
Agora, a esquerda quer a retribuição. Querem Bolsonaro fora de combate em 2026, como Lula esteve em 2018. Querem vê-lo preso.
Volta ensaiada
Mas Lula tem outro plano. Ele quer disputar. Quer mais um mandato, o quarto. A grande questão é: com esse governo afundando a cada dia, será possível imaginar uma candidatura viável?
Fica difícil. Muito difícil.
Esquerda sem nomes
E se Lula não for o candidato, quem seria? A esquerda tem outro nome? Ou melhor: tem algum nome competitivo?
Fernando Haddad, por exemplo, está fora de cogitação. É ministro da Fazenda e carrega nas costas a herança de um quadro econômico e financeiro desesperador. Não há marketing que resolva.
Falam de nacionalismo, do tarifaço de Trump, tentam resgatar a retórica contra o “imperialismo americano”. Ledo engano. Esse tema é de agora, é quente, mas não dura. Não estará na pauta em 2026.
Fôlego curto
No máximo, dá um fôlegozinho. Um gás momentâneo para o PT e para Lula, mas não sustenta uma campanha presidencial.
Lá na frente, quando a eleição chegar, o que vai pesar mesmo é o de sempre: o bolso e a barriga.
E o governo atual está comprometendo profundamente o poder aquisitivo da sociedade brasileira — inclusive daquela parcela que historicamente elegeu os petistas: a camada mais desassistida, desinformada, especialmente do Norte e Nordeste do Brasil.
Sem saída
E até lá, a situação só tende a piorar. Não há como resolver o rombo fiscal. A economia patina. O desemprego assombra. A inflação volta. Os juros continuam altos.
O governo gastou tudo que podia — e o que não podia. Agora, parte para a sanha arrecadatória. Imposto em cima de imposto para tentar tapar o buraco.
Sucessão em aberto
A disputa presidencial de 2026 não será definida agora, mas o cenário aponta para um fim iminente da polarização entre Lula e Bolsonaro. A ausência de Bolsonaro e o desgaste de Lula abrirão espaço para nomes novos e cabeças mais arejadas.
A esquerda terá de se reinventar — com alguém que não carregue as digitais deste desgoverno. A direita, por sua vez, terá o desafio de manter a base mobilizada, mas com uma nova liderança conservadora.
Última imagem
Lula já disputou seis eleições. Ganhou três. Perdeu três. Está agora no seu terceiro mandato. E sabe que a última imagem é a que fica.
É difícil imaginar que ele queira encerrar a trajetória com uma nova derrota — e amarga.
Por isso, o mais provável é que também não entre na disputa. No fim das contas, o que definirá 2026 será o que sempre decide eleição no Brasil: o panorama econômico-financeiro.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.