A Assembleia Legislativa de Santa Catarina demonstrou agilidade e eficiência ao concluir em apenas dois dias a apreciação de 37 projetos, com destaque para aqueles oriundos do governo. Alguns projetos mais delicados e controversos ficaram para o retorno do recesso, em agosto, quando receberão mais atenção dos parlamentares.
Interlocutor
Kennedy Nunes, secretário-chefe da Casa Civil e ex-deputado estadual por quatro mandatos, foi o responsável por articular a comunicação entre o Executivo e o Legislativo. Ele desempenhou um papel essencial nas discussões, especialmente nas propostas como a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2026, que servirá de base para a elaboração da Lei Orçamentária Anual do próximo ano.
Autorização de crédito
Outro avanço importante foi a autorização para a contratação de um crédito de contingente de R$ 2,6 bilhões junto ao Banco do Brasil. Esse montante será direcionado a áreas estratégicas, como infraestrutura, sistema prisional, assistência social, habitação e defesa civil.
Reajustes salariais
A Assembleia aprovou ainda reajustes salariais para diversos setores, com destaque para o magistério. Os professores catarinenses receberão um aumento de 11%, sendo 6,5% agora em julho e os outros 4,5% em dezembro. Também houve reajustes para Udesc, alguns setores da saúde e correções nas gratificações para a Secretaria da Fazenda e Procuradoria Geral do Estado.
Benefícios fiscais
A concessão de benefícios fiscais também foi um ponto de destaque, como a isenção de ICMS para itens da cesta básica catarinense, uma medida que beneficiará diretamente a população.
Sintonia
A aprovação dessas matérias reflete a boa sintonia entre o Executivo e o Legislativo. A atuação de Kennedy Nunes foi decisiva, mas também é importante ressaltar que tanto o governador Jorginho Mello quanto o presidente da Assembleia, Júlio Garcia, independentemente de suas diferenças partidárias, priorizaram a questão institucional, demonstrando maturidade política. Ambos mantiveram o foco nas necessidades do Estado.
Ações prioritárias
Para o segundo semestre, projetos importantes que envolverão os três poderes do Estado - Executivo, Legislativo e Judiciário - serão discutidos e votados de forma conjunta. O Tribunal de Contas do Estado, o Tribunal de Justiça e o Ministério Público também serão beneficiados por essas ações, sempre com o intuito de manter a governança eficiente.
Governo e assembleia
Neste momento, é fundamental reconhecer a maturidade demonstrada tanto pelos deputados quanto pelo governo estadual. Não deixaram que disputas políticas e eleitorais interferissem nas ações prioritárias e essenciais para o desenvolvimento do estado.
O governador Jorginho Mello recebeu ontem, no dia em que completou 69 anos, um vídeo gravado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Já era voz corrente que o atual ocupante do Centro Administrativo seria o candidato do ex-presidente à disputa pelo governo do estado.
Mas, se na cabeça de alguns desavisados restava alguma dúvida, ela foi dissipada definitivamente. Porque a declaração de Bolsonaro foi muito afirmativa e com um detalhe a mais: dizendo que os dois têm um entendimento que vem do tempo em que atuavam na Câmara dos Deputados e que pensam igual em relação ao futuro de Santa Catarina.
O gesto de Bolsonaro, algo incomum, pode ser um sinal de ele está querendo, de alguma maneira, neutralizar aquilo que fica evidenciado, que é a intromissão do ex-presidente empurrando seu filho Carlos como pré-candidato ao Senado. Isso estaria afetando, na raiz, a autonomia do próprio Jorginho.
Perseguição
Já há clareza que o consórcio não permitirá que Carluxo dispute o pleito de 2026, quando ele tem tudo para estar inelegível pela atuação aparelhada da Justiça Eleitoral. O mesmo vale para Eduardo Bolsonaro.
Sinalização
Ocorre que Jorginho, ao não barrar a ofensiva de Bolsonaro em relação ao filho em SC, praticou um gesto para com o ex-presidente. Ratinho Júnior, do Paraná, por exemplo, nem deixou a conversa evoluir. Já cortou pela raiz, deixando Bolsonaro à vontade para indicar um postulante ao Senado, desde que nascido no estado vizinho.
Passo à frente
O governador de SC avalizou, mas já partindo da premissa de que esse desfecho (a candidatura de Carlos por aqui) é improvável.
Ombro amigo
Além disso, também fica evidenciado, no vídeo de Jair Bolsonaro, que ele conta com Jorginho Mello para qualquer situação. Talvez nenhum outro governador tenha sido tão parceiro dele quanto Jorginho Mello, que, em dois anos e meio, sequer se encontrou com Lula da Silva, o que, na verdade, é um equívoco pelas suas obrigações institucionais. Mas, para Bolsonaro, isso agrada e muito.
Palanque em banhado
Agora, tivemos, na segunda-feira, dois encontros interessantes. Inicialmente, à tarde, na Assembleia Legislativa, os prefeitos Vagner Espíndola, de Criciúma; Juliana Pavan, de Balneário Camboriú e o próprio Leonel Pavan, de Camboriú, comparecem, atendo à convocação do presidente Júlio Garcia para reafirmar apoio à pré-candidatura de João Rodrigues. É mais um sintoma de que o projeto rodriguiano tem dificuldades para ficar de pé.
Quieto
Ausência notada do prefeito reeleito São José, cidade vizinha de Florianópolis, Orvino De Ávila.
Ágape
Já no período noturno, Darci de Matos, que foi deputado federal pelo PSD e o trocou pelo Republicanos na semana passada, levou doze prefeitos e dois vice-prefeitos para um jantar com Jorginho Mello. Dos doze gestores municipais, nove deles são filiados ao PSD.
Números
Havia mais prefeito pessedista com Jorginho, pelas mãos de Darci, do que na própria rodada patrocinada pelo PSD estadual. Então, tudo isso escancara o grau de fragilidade da pré-candidatura de João Rodrigues.
Águas rolando
O quadro, evidentemente, tem que ser observado na sua evolução, até meados do ano que vem. Ainda falta mais de um ano para o início da campanha propriamente dita.
Coringa
Se o PSD não conseguir se viabilizar, uma alternativa acaba recaindo sobre Topázio Silveira Neto. Explica-se. Ele poderia não deixar o PSD para ser vice de Jorginho Mello, permanecendo na sigla pela qual se reelegeu prefeito da Capital.
Câmara
Nesse contexto, João Rodrigues disputaria uma vaga de deputado federal e o PSD não ficaria com uma chapa proporcional sem o amparo de uma composição majoritária. Isso precisaria ser definido e formalizado até a primeira semana de abril do ano que vem, o prazo fatal para a desincompatibilização de prefeitos que desejarem disputar o pleito 2027.
Blog do Prisco
Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.