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Mudanças em fevereiro

Por Cláudio Prisco Paraíso
22/01/2025 - 08h23

Assim como Jorginho Mello em Santa Catarina, o presidente Lula da Silva vai aguardar a eleição das mesas diretoras da Câmara e do Senado para então promover uma minirreforma no seu Ministério. Só antecipou a Comunicação porque a situação é de absoluto descontrole.

Agora, as demais alterações vão aguardar justamente a retomada das atividades do Congresso Nacional, embora já se saiba que dificilmente o controle da Câmara fugirá da eleição de Hugo Motta, filiado ao Republicanos da Paraíba. No Senado, o nome é de Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá.

Mas, mesmo assim, ele vai tentar reforçar o seu Ministério na direção de três partidos estratégicos: União Brasil, MDB e PSD.

Os últimos dois foram os que elegeram o maior número de prefeitos no ano passado. Aliás, o União Brasil foi o terceiro. Os três somados ficaram com mais de dois mil prefeitos, quase a metade das prefeituras brasileiras. E a estratégia é contar com esses partidos no projeto de reeleição do atual inquilino do Palácio Planalto.

Território

Não só pela estrutura partidária espalhada pelas cinco regiões brasileiras, mas, também, na tentativa de fazer com que esses partidos não apenas não venham a lançar candidatos à presidência, como possam vir a respaldar a recandidatura de Lula da Silva.

Quem?

O MDB, na verdade, não tem nome; e o PSD já tem Ratinho Júnior do Paraná, mas sabe-se que ele vai ao Senado. Ou seja, são siglas grandes, capilarizadas, mas sem um líder de envergadura nacional.

De Goiás

Sobre o União Brasil, não se pode dizer a mesma coisa. Ronaldo Caiado colocou o bloco na rua. É candidatíssimo. A articulação é no sentido de trazer o Novo, na figura do governador mineiro. Assim como Caiado, Romeu Zema foi reeleito. A partir daí, a ideia é tentar também atrair o apoio de três outras siglas: o PP, o Republicanos e também o PL, naturalmente.

Ex-presidente

A expectativa é a de que o PL de Jair Bolsonaro não faça o que fez em 2024, lançando candidatos contra nomes respaldados por governadores em capitais e grandes municípios, como aconteceu em Curitiba e Goiânia.

Derrotas

Ali, Ratinho Júnior e Ronaldo Caiado derrotaram Bolsonaro, já que os candidatos do ex-presidente e os dos dois governadores se enfrentaram. Então é hora de raciocinar com inteligência.

Incógnitas

Bolsonaro pode estar pensando em lançar o filho, Eduardo Bolsonaro? Ou em fechar um acordo da direita?
Alguns formuladores raciocinam na seguinte direção: formalizar um acordo reunindo PL, PP, Novo, União e Republicanos. São cinco grandes partidos.

Dúvidas

Com um detalhe. Nada garante que o PSD e o MDB, que não têm candidatos à Presidência, vão efetivamente estar com Lula. Poderão não estar com a candidatura de direita, mas bem que poderiam assumir postura de neutralidade?

Espectro

Isso faria com que Lula da Silva não conseguisse penetrar nos partidos do centrão e ficasse apenas nas mãos das siglas ideologicamente à esquerda. O que o enfraqueceria no projeto de reeleição.

Ladeira abaixo

Ainda mais considerando a situação de absoluto descalabro da economia brasileira. E a tendência é que a situação se recrudesça, não apenas no segundo semestre desse ano, mas especialmente em 2026.

Escorregadas que dão discurso à esquerda

Por Cláudio Prisco Paraíso
21/01/2025 - 09h41

Definitivamente, não vive o melhor dos seus dias. É assim que poderíamos definir as últimas manifestações do governador Jorginho Mello. Houve, no intervalo de uma semana, três pronunciamentos equivocados, erráticos.

O primeiro deles, durante uma entrevista em São Paulo, quando o governador praticou um deslize inexplicável, considerando-se que estamos falando de um político de muitos mandatos.

O catarinense afirmou que Jair Bolsonaro e Valdemar da Costa Neto estão afinadíssimos, que conversam com frequência.

Ora, todos sabemos, inclusive ele, que os dois estão proibidos de interagir, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, no contexto de investigações que alcança a dupla. Assim que deu essa declaração, logo veio à mente de que o todo-poderoso ministro do STF iria acioná-lo para prestar esclarecimentos. Não deu outra. Foi o que ocorreu.

Prato cheio

Alexandre já acionou a Polícia Federal, que deu quinze dias para o governador procurá-la e aí prestar os devidos esclarecimentos. Já foi uma bela de uma atravessada de Jorginho. Logo na sequência, na abertura de uma festa tradicional em Pomerode, ele falou da pele dos habitantes da cidade.

Margem

Longe de ter praticado crime de racismo, mas o governador de qualquer forma, deu uma declaração que gera interpretações variadas, levando a esquerda a explorações de natureza política.

Triunvirato

E, para completar o triunvirato de derrapadas, Jorginho Mello esteve em Balneário Camboriú e censurou publicamente a prefeita Juliana Pavan. O governador meio que a questionou por que outras autoridades estariam oferecendo ajudas e contribuições à cidade.

Nome e sobrenome

Ele citou os gaúchos, mas queria fazer referência, evidentemente, ao prefeito João Rodrigues, que na véspera tinha colocado a prefeitura de Chapecó à disposição, assim como já havia feito durante a tragédia do Rio Grande do Sul no ano passado.

Autonomia

Essa enquadrada pegou mal. Certamente não foi bem recebida por Juliana. Mas, vamos além. Como o governador quis de alguma maneira emparedá-la para dar um chega pra lá em João Rodrigues, o prefeito de Chapecó chegou com caminhões, retroescavadeiras e uma série de equipamentos no próprio domingo em Balneário Camboriú.

Família

O oestino fez uma gravação. Não só com Juliana, mas também com Leonel Pavan, prefeito de Camboriú, pai de Juliana. João Rodrigues deixou claro que estava ali para ajudar as duas cidades e foi, digamos, paparicado pela família Pavan. Os três são correligionários, filiados ao PSD.

Desatenção

Convenhamos, Jorginho Mello parece não estar atento às suas falas em meio aos seus movimentos. Até porque isso tudo provoca algum tipo de desgaste.

Fugindo do padrão

Mas, o que estaria acontecendo com Jorginho Mello? Afinal de contas, nos últimos dois meses e meio, ele tem cometido uma série de impropriedades na condução política. Inclusive na composição do governo, com o MDB, PP e por aí vai.

Dúvida

Estaria faltando assessoria, conselheiros, ao chefe do Executivo estadual? Ou ele trocou de colaboradores que vinham lhe aconselhando, lhe ajudando nas formulações? Essa é a questão, e a incógnita que fica no ar neste momento.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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