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O Brasil reverso 

Por Cláudio Prisco Paraíso
10/02/2024 - 09h00

O bandido virou mocinho e o mocinho virou bandido. Essa é a tradução do que acompanhamos no Brasil nos últimos três anos. Lula da Silva passou 580 dias na prisão. Condenado e julgado por já nove magistrados diferentes em três instâncias distintas.

Depois das sentenças de Sérgio Moro, três desembargadores federais da quarta região – sediada em Porto Alegre - aumentaram as penas, que foram confirmadas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) através de decisões de cinco ministros.

Todos estes despachos, registre-se, foram respaldados pelo STF. Corte que deu um cavalo de pau na sequência, pois as supremas togas andavam incomodadas pelas críticas e pelo enfrentamento desencadeado pelo então presidente Jair Bolsonaro.

Os 11 supremos também resolveram soterrar a Lava Jato, fulminada de morte. O recado foi muito claro sobre quem manda no Brasil.

CEP

Quatro anos depois das sentenças robustas, históricas, inapeláveis contra o chefe da Organização, os donos do olimpo mudaram de opinião. Tipo assim, “não, não, estão julgando no lugar errado. Não pode ser em Curitiba, tem que ser em Brasília.”

Vergonha histórica

Lula não foi inocentado, foi descondenado por um problema de CEP, de endereço. E também por isso acabou sendo libertado. Não apenas ele, o corrupto-mor, como também os demais ladrões da cleptocracia agora instalada a partir do consórcio STF-Planalto. Estão todos aí deitando, rolando e debochando da cara de quem trabalha e produz.

Volta ao passado

O Brasil realmente voltou. O ápice desse espetáculo deprimente, desse show de horrores e mentiras, foi nesta quinta-feira, 8.

Alvos

Fizeram busca e apreensão em endereços relacionados a Jair Bolsonaro. Ação determinada por Alexandre, o diminuto, e que, pra variar, não ocorreu a partir de fatos objetivos. Ele determina buscas e apreensões para tentar encontrar algo que possa justificar suas decisões arbitrárias, ditatoriais, absurdas. Em inquéritos intermináveis e nos quais cabe tudo.

Imperador

Diminuto, faz o que bem entende. Os outros 10 supremos viraram vaquinhas de presépio. Alexandre manda e desmanda de forma seletiva, tendenciosa, só para um lado.

Não pode

Claramente, há uma ofensiva muito bem organizada para acabar com lideranças e partidos de direita.

Eu sou a lei

Não bastasse isso, Alexandre, o diminuto, é objeto, vítima de tudo isso. Como ele conduz inquéritos e dá despachos em situações em que é a própria vítima?

Aham

Mas segue tudo normal, o amor venceu e o Brasil voltou. Claro que vivemos na mais absoluta normalidade. Sem dúvidas, evidente.

Exceção

Não fosse o fato de que o conluio entre o Judiciário e o Executivo venha rasgando a Constituição com o objetivo único de exterminar as liberdades democráticas e fulminar de morte o principal partido de oposição, o PL.

Nada disso

Na quinta-feira, além das buscas e apreensões na direção de Bolsonaro, a KGB, ou melhor, a Polícia Federal, bateu na casa de Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL que para santo não serve, mas que vinha criticando Alexandre.

Xilindró

Agora veio a resposta da Organização. Costa Neto foi preso porque não comprovou o porte da arma encontrada em sua casa. Passou a noite na prisão. Jair Bolsonaro teve o passaporte apreendido a mando de Alexandre. Notem a gravidade de tudo isso.

Passando pano

E a mídia vendida, velhaca, podre, faz de conta que está tudo normal. Tudo na mais perfeita normalidade.

Caserna covarde

A Organização não poupou sequer militares de alta patente. Os comandantes militares em atividade estão em silêncio. Bico caladinho. Isso tudo até quando? Na quinta-feira, véspera de Carnaval, quando boa parte dos brasileiros está mais interessada em satisfazer os próprios desejos carnais. E a Organização operando.

Na veia

Hamilton Mourão foi aquele que fez a manifestação mais dura, falando do arbítrio e do autoritarismo dos senhores togados que, nunca é demais lembrar, jamais receberam um voto popular na vida. A democracia é solapada diariamente pelo consórcio STF-Planalto.

Fantasia

Ah, mas encontraram documentos que sinalizavam que Jair Bolsonaro planejava um golpe. Ocorreu algo, de forma concreta?

Aí sim

Concretamente, o verdadeiro golpe está em curso desde a soltura absurda do atual inquilino do Planalto. E ninguém diz nada. Todo mundo de biquinho calado.

O tempo 

Se não houver uma reação da sociedade, ocupando o asfalto, ou do Congresso, obstruindo votações nas duas Casas Legislativas, ou mesmo com os congressistas pressionando o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, a colocar em tramitação pedidos de impeachment contra supremas togas, o fim disso tudo é absolutamente imprevisível. Que não vai terminar bem, isso é líquido e certo. Estão exagerando na dose, está faltando moderador de apetite. Esse consórcio é famigerado e está a violentar a democracia brasileira.

Passado vai ficando distante

Por Cláudio Prisco Paraíso
08/02/2024 - 18h28

O MDB e o PP são os principais rivais da história política de Santa Catarina. MDB, que começou no período do regime militar como Movimento Democrático Brasileiro. Depois, em 1979, com a chegada do pluripartidarismo, a sigla virou PMDB. O PP de hoje foi a origem da Arena no bipartidarismo. Depois disso, o PDS.

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Em 1982, tivemos o primeiro grande enfrentamento com Esperidião Amin (PDS) ganhando de Jaison Barreto (PMDB) por 12,5 mil votos, 0,5% dos eleitores à época. 

Depois, quem chegou lá foi o emedebista Pedro Ivo Campos (PMDB), revezamento que se seguiu até o começo do século, quando as duas siglas começaram a perder protagonismo. 

A última vez que o PP comandou Santa Catarina foi em 2002, quando o próprio Amin terminou seu segundo mandato após ser derrotado por Luiz Henrique da Silveira. 

A próxima eleição estadual será em 2026, quando o PP completará 24 anos longe da administração estadual. 

Saudoso

LHS foi reeleito em 2006. Renunciou em 2009 em favor do, à época, tucano e seu vice, Leonel Pavan. A rigor, o MDB ficou até 2009 na proa catarinense. Estamos falando em 17 anos longe do poder central se considerarmos o próximo pleito estadual. 

Não conta

Não estamos esquecendo de Eduardo Moreira, que cumpriu seu segundo mandato-tampão em 2018, após a renúncia de Raimundo Colombo para disputar o Senado. Moreira foi vice de Colombo nos dois mandatos do ex-governador. 

Sabotador

Na prática, contudo, Eduardo Moreira não representou o MDB. Muito ao contrário. Ajudou a bombardear o próprio partido que ele presidiu por 10 anos, tendo sido três vezes vice-governador. Sempre na sombra. Nunca foi testado nas urnas como cabeça de chapa. 

Desafetos

Por que, em 2018, ele trabalhou contra o partido? Porque tinha como rival, desafeto interno, justamente aquele que veio a ser candidato a governador, Mauro Mariani. À frente da máquina estadual, Moreira trabalhou contra, atuou de todas as formas para desestabilizar o projeto do Manda Brasa. 

Marca

Pela primeira vez na história, o MDB não chegou ao segundo turno em Santa Catarina, o que vinha ocorrendo desde 1982. 

Antes da adoção da eleição em dois turnos, o MDB sempre foi o primeiro ou o segundo colocado na preferência dos catarinenses. 

Mesmo barco

Inapelavelmente, o MDB e o PP vão desistir de projetos solos em 2026. Isso é evidente. Em 2018, Mauro Mariani não foi ao segundo turno e em 2022, o partido indicou Udo Döhler como vice de Moisés, chapa que também não chegou ao round decisivo. 

Mesmo caminho

Assim como o PP. Partido que, na figura de Esperidião Amin, cometeu o erro, em 2022, de não se aliar a Jorginho Mello e o seu PL. PP e PL eram irmãos quase siameses em Brasília. Mas por aqui não houve casamento. Amin, que tinha mais quatro anos de Senado, imaginou que, como candidato ao governo, asseguraria a reeleição da mulher Angela como deputada federal e a do filho, João, a estadual. 

Bola fora

Se a família tivesse aceitado a proposta de Jorginho Mello, hoje dona Angela seria vice-governadora e muito provavelmente João Amin teria conquistado a reeleição para a Alesc. 

Convergência 

Não resta a menor dúvida de que os dois principais rivais da política catarinense por mais de quatro décadas têm tudo para estarem juntos trabalhando pela reeleição de Jorginho Mello.

Vagas

Tanto o PP quanto o MDB terão espaços na majoritária de 2026, quando serão renovadas duas vagas ao Senado, além das posições de governador e de vice. 

Uma vaga obviamente é de Jorginho, uma do PP, outra do MDB e a quarta posição ficaria para um outro partido, que deverá ser recrutado pelo governador dentro do seu projeto de reeleição.

Cláudio Prisco Paraíso

Blog do Prisco

Começou no jornalismo em 1980, no jornal O Estado. Atuou em diversos veículos de comunicação: repórter no Jornal de Santa Catarina, colunista no Jornal A Notícia e comentarista na RBS TV, TV RECORD, Itapema FM, CBN Diário e Radio Eldorado. Comenta diariamente em algumas rádios e publica sua coluna do dia em alguns jornais do Estado. Estreou em março de 2015, nas redes sociais e está no ar com o Blog do Prisco.

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